Ficha Limpa: bagres e baiacus

Nassif, acabo de descobrir quem é a verdadeira biruta de aeroporto: o STF.

Esta quinta, no apagar das luzes do semestre judiciário, como todos já noticiaram, Gilmar Dantas concedeu liminar autorizando o registro de candidatura de Heráclito Dantas a despeito da Lei da Ficha Limpa (aquela, de autoria dos movimentos sociais, relatada por Antônio Carlos Biscaia, depois por José Eduardo Cardozo, que foi usurpada por Índio da Costa ao relatar um grupo de trabalho de uma versão inicial). A indignação geral não foi pouca, não menos pelo fato de Heráclito Dantas, vulgo peixe baiacu, ser notório líder da bancada Dantas no congresso (da qual também participou o petista da gema Luís Eduardo Greenhalg), e correligionário do índio.

Pois é, como o mundo gira e a lusitana roda, começou o recesso judiciário, onde fica apenas um juiz plantonista para julgar as ações em caráter liminar. Normalmente, seria Cezar Peluso, por ser o presidente, mas não é incomum que seja o vice-presidente a ficar de plantão.

Foi o que aconteceu desta vez. O plantonista é um dos ministros que mais admiro, Ayres Britto. Ele, Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski me parecem as melhores indicações do presidente  Lula, de longe.

Pois é, veja como os membros do Pretório Excelso se contradizem uns aos outros sem pestanejar ou corar: desde que começou o plantão, Ayres Britto já indeferiu TRÊS liminares de políticos condenados por órgãos colegiados que não queriam se tornar inelegíveis. Duas delas foram negadas com menção à LC 135/2010 (Ficha Limpa).

Droga, se o recurso do baiacu tivesse demorado mais um dia para ser julgado…

A propósito, como se antecipou aqui que aconteceria, até agora a Ficha Limpa pegou apenas bagrinhos: um ex-prefeito, um ex-candidato a vereador e um deputado federal do baixo clero de que ninguém jamais ouviu falar. Os peixes grandes – e especialmente os baiacus – têm, naturalmente, “facilidades” na forma como o STF interpreta a lei nos recursos que interpõem.

Bom, talvez eu não devesse reclamar muito. Um deputado (do PP, que em tese apóia fisiologicamente o governo) é melhor do que nada. Meus cumprimentos ao ministro Ayres Britto, um dos poucos que se salvam naquela corte, em minha opinião.

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