O suicídio lento do DEM

No dia anterior ao da convenção do DEM, conversei com João Francisco Meira, do Vox Populi, e com a Maria Inês Nassif. Inês talvez seja a jornalista que mais conheça o DEM – acompanhou o nascimento do PFL, quando repórter política em Brasília. Entende como ninguém a lógica pragmática do partido – o que não significa que concorde.

A visão da Inês era objetiva. O DEM não sobrevive longe do poder. Desde 2002 sua bancada vem caindo sistematicamente. O fato de estar amarrada a uma candidatura com baixa perspectiva de vitória compromete ainda mais seu futuro.

A atropelada de que foi alvo, com a indicação de Álvaro Dias, poderia ter sido sua saída. Se o partido ainda dispusesse das raposas do passado, aproveitaria para não formalizar a coalizão com o PSDB e trataria de se aproximar da candidata vencedora -caso houvesse segundo turno – preservando sua estrutura para a futura recomposição partidária no país.

A posição de João Francisco é similar. O quadro partidário exige um partido de centro-direita moderno. O espaço está vago. Era hora do DEM pensar estrategicamente e se preservar  para ocupar esse espaço, já que Serra tentou ocupar em vão: perdeu a confiança da centro-esquerda sem conquistar a da direita.

Mas não adiantou: a esperteza pessoal de César Maia prevaleceu sobre a lógica partidária. Com a candidatura de Índio da Costa, Maia afastou um candidato a deputado que poderia dividir o eleitorado com seu filho Rodrigo Maia – como bem explicou a vereadora Andrea Gouvea Vieira.

Para o DEM, a eventual consolidação de César e de Índio no Rio será a morte lenta. Terá dois centros arrecadadores – São Paulo e Rio – ambos funcionando como departamentos estanques: Kassab é visto como linha auxiliar do PSDB; e César Maia como linha auxiliar dele próprio.

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