Os rumos da oposição

Nassif,

Eu também considero a sua análise otimista demais. Na verdade, a considero não realista.

A oposição que estamos vendo é derivada da temor da classe B em relação à ascençao das outras classes sociais, principalmente a ascenção da classe C. Como outro comentarista já notou aqui neste blog, boa parte da oposição ao governo Lula é baseada no preconceito. O preconceito não existe per si, é desenvolvido, existe por alguma razão ou temor, mesmo infundado.

Tal reação da classe B continuará enquanto o processo de ascenção social não se completar. E enquanto não surgir uma nova classe B, resultado da classe C.

Essa nova classe B serão os empreendedores que você antevê. No entanto, serão originários da classe C, que tem consciência de que é dependente da atuação do Estado e das políticas públicas. Não serão tão antagônicos a um Estado mais forte como a antiga classe B. É possível que, devdio às suas origens na classe C, defendam uma maior atuação do Estado na promoção das pequenas empresas, em especial com relação à política de compras do governo e das empresas estatais. Se for assim, dificilmente serão ardorosos defensores do Liberalismo e do “laissez-faire”.

Deve também ser observado que também veremos que a classe C se tornará a maioria da população brasileira, devido à ascenção das classes D e E. Esses não sao empreendedores, mas assalariados. Por terem carteira assinada, tendem a se sindicalizar. E o movimento sindical é a origem do PT. Para a classe C a existência de um Estado forte é a garantia do atendimento dos seus direitos sociais: educação, saúde e diereitos trabalhistas. A tendência “conservadora” dessa nova classe C será manter os direitos sociais obtidos e conseguir novos direitos sociais (diminuição da jornada de trabalho, por exemplo).

Nassif, 4 anos atráz você fez uma previsão extermamente otimista com relação à oposição, em especial aos governadores eleitos pelo PSDB e, em específico, ao Governador Serra. Essa previsão não se cumpriu. A sua previsão atual dificilmente se cumprirá.

Em primeiro lugar, a oposição da imprensa continuará muito forte e provavlemente se acirre mais: os analistas da imprensa acreditam que o governo Dilma será fraco (da mesma forma que apostaram que o governo Lula seria um desastre) e a classe B continuará a reagir fortemente à ascenção da classe C. Infelizmente, os partidos de oposição continuará a ser pautada cegamente pela imprensa, principalmente porque a grande imprensa se tornou o porta-voz do temor que a ascenção social causa na classe B e porque os partidos de oposição representam justamente essa classe B.

Em segundo lugar, o Aécio será eleito senador, mas não vai conseguir a cadeira de Presidente do Senado, que é reservada ao governo. Será, portanto, mais um senador no meio de 80 outros senadores. Além disso, o PSDB e o DEM elegerão menos congressistas para próximo período legislativo, indicando uma atuação parlamentar mais fraca, mesmo sendo uma oposição mais aguerrida. E o posto do Aécio como possível líder da oposição será eclipsado pelo fato de que a oposição tentará a via da confrontação e não a da coabitação, o que inviabiliza a sua liderança.

Sinceramente, não acho possível a renovação da oposição nos próximos 4 anos. Talvez nem nos próximos 20. 

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