Privataria: Serra e a negação inútil de seu papel na história recente do país


Serra batendo o martelo na Bolsa de Valores, entre tantos leilões de privatização do governo tucano

Durante o debate presidencial da Band, Serra, saindo pela tangente, nas questões sobre o governo do qual foi ministro da saúde e planejamento, afirmou que era preciso olhar o Brasil para frente e não pelo retrovisor.

Tal fala é característica daqueles que tentam apagar da memória das pessoas episódios desastrosos dos quais foram protagonistas. A simples idéia da superação do passado, remendada com uma ilustração de um contexto para a construção da novidade, fazem parte da estratégia de omitir tais passagens condenadas pelo povo e se apresentar como algo novo, transfigurado, sem elo com sua significância recente.

Uma artimanha de quem só teria a perder com comparações e análises das mais superficiais. Ignorar o passado é perder-se no momento histórico, sem saber de onde vem e para onde vai, claro que confundir os discursos só beneficia aquele que não quer ser reconhecido pelo que fez, mas pelo o que promete fazer de diferente.

Privatizações? Eu não vou privatizar a Petrobrás…
O governo de FHC privatizou, ou melhor, entregou o patrimônio público brasileiro ao capital estrangeiro, colocando a venda, prioritariamente, ao capital estrangeiro um conjunto de empresas, a preço de custo ou subvalorizadas, que arrecadaram para o Tesouro mais de 78 bilhões de dólares (bem acima dos 100 bilhões de reais, levadondo-se em conta a média da cotação do dólar frente ao real durante o período). Apesar da arrecadação vultosa os pilares da economia brasileira se fragilizaram rapidamente, o bem público saldado no mercado a preço de ocasião e com financiamento de pai-para-filho do BNDES, não impediram que o país de continuasse se endividando – a dívida pública do Brasil, que era de 60 bilhões de dólares em julho de 1994, saltou para 245 bilhões em novembro de 1998!

Serra participou desse governo, foi um dos fiadores dessa política nociva aos interesses do país. Tivesse vencido em 2002 hoje a Petrobrás, o setor elétrico público que restou das privatizações de FHC, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica estariam nas mãos do capital estrangeiro, o Brasil, com certeza, teria sido devastado pela crise internacional de 2008/2009, sofrendo graves consequências econômicas e sociais, devido ao desmantelo estatal e a desproteção social aprofundada da cartilha neoliberal.

Negar esse passado recente é a tentativa de sobrevivência política de um grupo falido em suas idéias e promessas, já marcado pela decadência moral e ética de um falso discurso em defesa dos interesses nacionais.

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