Em livro, Villas Bôas elogia coronel acusado de tortura na ditadura

"Excelente instrutor", descreveu o general a Rubens Bizerril. Livro confirma, ainda, pressão do Exército ao STF por prisão de Lula

Jair Bolsonaro e Villas Bôas, em 2019 - Foto: ABr

Jornal GGN – O recém-publicado livro de memórias do general do Exército Brasileiro, Eduardo Villas Bôas, traz o polêmico posicionamento do Alto Comando do Exército ao “projeto Bolsonaro”, chancelando a ameaça ao Supremo Tribunal Federal (STF), e também tece elogios a um oficial acusado de crimes da ditadura.

Rubens Bizerril é acusado de crimes de tortura e execução de um estudante secundarista em Goiás, no relatório final da Comissão Nacional da Verdade, publicado em 2014, segundo lembrou reportagem da Folha de S.Paulo. Hoje coronel da reserva, ele foi descrito por Villas Bôas como “excelente instrutor”.

O general fez menção a Bizerril ao comentar sobre os oficiais que atuavam na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (ExPCEx), no final dos anos 60, em Campinas, São Paulo. “Encontrei excelentes instrutores, como o capitão Bizerril e o tenente Garlipp, respectivamente, meus comandantes de companhia e de pelotão”, narrou.

A CNV apontu Bizerril como um dos envolvidos na tortura e morte do estudante secundaristas Ismael Silva de Jesus, em 1972, no 10º Batalhão de Caçadores de Goiânia. Na época, Bizerril era major da 3ª Brigada de Infantaria e conduziu um inquérito policial militar para apurar as atividades do PCB (Partido Comunista Brasileiro), em Goiás.

À imprensa, Bizerril afirma não ser culpado e disse ter visto o estudante só depois que estava morto, no quarto de um sargento.

Pressão por prisão de Lula

Além dessa polêmica, Villas Bôas indica em seu livro que o posicionamento redigido em abril de 2018, na véspera do julgamento que poderia libertar o ex-presidente Lula, dirigido ao STF, não partia somente dele, mas foi escrito em conjunto com o Alto Comando do Exército.

“Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”, dizia a postagem.

A confissão da pressão do Exército sobre o STF, no livro, reabriu a polêmica nesta semana. O livro ‘General Villas Bôas: Conversa com o comandante’ foi revisado, ainda, pelo general da ativa Sergio Etchegoyen.

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