Temer X Dilma: a bipolaridade da velha mídia, por Alexandre Tambelli

TEMER X DILMA: a bipolaridade da velha mídia em uma aula prática

por Alexandre Tambelli

As pessoas mais atentas sabem que a grande Imprensa brasileira (chamada por críticos dela de velha mídia) está alinhada a um pensamento Ideológico único, ou seja, defendem um modelo econômico-social idêntico para o Brasil. E defendem com unhas e dentes, como se fosse a única forma do nosso País se desenvolver.

Quem não se deu conta, ainda, desta realidade da Ideologia única poderá descobrir o que afirmo com exemplos práticos.

Vou elencar uma lista de situações concretas ao final do texto, e que dei o nome de lista das bipolaridades da velha mídia.

Quem observou, atentamente, estes tempos atuais de julgamento do Impeachment percebeu que a Rede Globo, a Revista Veja, a Istoé, a Folha, o Estadão, a RBS do Jornal Zero Hora, a Jovem Pan, etc. integrantes da velha mídia estiveram aliados da deposição de Dilma, concordaram com a tese das “pedaladas” e, consideraram motivo para tirá-la do Poder máximo do País, mesmo com a Constituição dizendo que sem crime de responsabilidade não se pode tirar um (a) Presidente (a) do cargo a que foi eleito (a).

Foi na Internet, nas ruas e na Imprensa alternativa, além da Imprensa Internacional que se consolidou a certeza de que a retirada da Presidenta Dilma da Presidência da República foi um Golpe de Estado via Legislativo.

Na Imprensa brasileira tradicional, não! Ela ficou do lado da “legitimidade” do Impeachment o tempo todo.

Um dado interessante para ser guardado. 17 governadores de diferentes partidos, também, fizeram “pedaladas” e não houve/há campanha na velha mídia para Impeachment deles.

A velha mídia tem uma característica muito peculiar ela se apresenta de uma maneira bipolar, e em atitudes extremas hoje, é favorável ou desfavorável a alguém, a um grupo de pessoas, a uma ideia, a uma Ideologia, a um Político, a um partido político e assim por diante.

Nela não há separação da notícia e do editorial, ou seja, fazem da notícia uma propaganda política pró-aliado político e contrária ao adversário político. Não existe nela a busca por maior isenção no fato noticiado,  deixando para colocar lá no editorial do jornal ou do telejornal a opinião ideológica do seu dono.

Nos países de primeiro mundo e/ou tidos como civilizados não se faz assim. É no editorial que se procura mostrar a opinião ideológica do dono de um meio de comunicação. A notícia busca ser fidedigna ao fato noticiado e se busca ouvir os vários lados envolvidos, bem como, tem-se o cuidado de noticiar todos os fatos que são considerados importantes no dia, e não apenas os que quiserem, para, por exemplo, sonegar a informação de um escândalo, porque um seu aliado ideológico está envolvido, prática muito comum na velha mídia (aliado ideológico na nossa velha mídia pode ser entendido como político aliado).

Exemplo clássico de sonegação da notícia é o helicóptero de um Senador da República transportando 400 quilos de cocaína. Quase não se noticiou o fato na Imprensa brasileira e ela não cobrou profundas investigações do caso pelas autoridades, por ser o Senador aliado e amigo de Aécio Neves. O Senador até votou, pasmem, pela cassação do Mandato de Dilma no Senado. Agora, uma paçoca paga com o cartão corporativo do Governo Federal por um Ministro de Lula se tornou escândalo nacional nesta mesma velha mídia.

Que bipolaridade inexplicável é esta, não é verdade? Uma paçoca ser escândalo por ser um caso envolvendo um Político não aliado e 400 quilos de cocaína encontrados no helicóptero não ser escândalo por envolver um Político aliado.

Na nossa sociedade a bipolaridade foi sendo incorporada, através do noticiário da velha mídia. Velha mídia, formada por não mais que 10 famílias, que detém mais de 80% de todos os meios de levar informação (notícias) do cotidiano do Brasil e do Mundo para os brasileiros de todas as classes sociais e fonte única de notícias para boa parte dos brasileiros. Como escapar da bipolaridade com este monopólio gigantesco das comunicações? Um tanto difícil.

E, que por causa deste monopólio da informação em poucas mãos, com mesma Ideologia e noticiário muito semelhante, se fez a separação entre os que se informam por ela e os que não aceitam a maioria das opiniões expressas e o noticiário praticado pela velha mídia. Afinal, só uma parte dos brasileiros se vê representada no noticiário que eles praticam, como ficará claro daqui para frente, pois, só quem pensa igual a velha mídia tem chance de se ver representado de forma positiva, de ser respeitado e de ter voz ativa na Imprensa brasileira.

A bipolaridade da sociedade ficou bem nítida nos últimos tempos com a divisão “petralhas” X “coxinhas”. “Petralhas” seriam os desfavoráveis para a velha mídia e “coxinhas” os favoráveis para a velha mídia.

Podemos afirmar, de forma categórica, que a velha mídia tem seus aliados políticos e seus adversários políticos. E, nesta bipolaridade se desenha o noticiário favorável ou contra um Político e um Partido Político, entre um Político desenvolvimentista e um Político ligado ao mercado, e assim por diante.

O Jornalismo da velha mídia, portanto, é produzido com a escolha de um lado a ser defendido na Política e outro a ser atacado. Esta bipolaridade influencia no seu modo de noticiar e de como noticiar ou não noticiar fatos importantes do cotidiano da Política brasileira.

Neste jogo de favorável e desfavorável temos a possibilidade de divisar dois fronts distintos:

1° front: o formado pelo PT e os partidos mais a esquerda e os políticos/ pessoas progressistas e os desenvolvimentistas;

2° front: o formado pelo PSDB, agora, pelo PMDB e os partidos mais a direita e os conservadores e as pessoas do mercado financeiro.

O fronte primeiro podemos chamar de o front que a velha mídia faz oposição.

O fronte segundo podemos chamar de o front que a velha mídia apoia.

Nestes tempos atuais a velha mídia chegou ao ponto máximo: o da defesa intransigente do segundo front e do ataque sem tréguas do primeiro front.

Na batalha do Impeachment pelo SIM e pelo NÃO a velha mídia ficou do lado do SIM, certo? E radicalmente a favor do SIM! Virou um Jornalismo de torcida e pronto para defender com unhas e dentes a tese do SIM!

Então, podemos dizer que ela está do mesmo lado de TEMER.

E, por contraste, afinal a velha mídia é bipolar, podemos dizer que ela está do lado oposto de DILMA.

Como ilustração, imaginemos uma linha reta e façamos a imagem real desta bipolaridade (separada em polos opostos):

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Temer                                                      Centro                                                         Dilma

Velha Mídia                                           O Ideal de um                            

Positivo                                          Jornalismo equilibrado                                          negativo

 

Na radicalidade desta bipolaridade diferentes fenômenos e processos perceptivos pelos olhos e ouvidos acontecem.

Temos o fenômeno visual das cores, o fenômeno dos humores dos telejornais, jornais, revistas, jornalistas e apresentadores da velha mídia, o fenômeno das expectativas e possibilidades, o fenômeno das imagens, o fenômeno dos sons, o processo de construção do noticiário, o processo de utilização do vocabulário, o processo das perspectivas e, ainda, o processo da seletividade.

Dependendo de quem se fale TEMER ou DILMA aparecerá uma representação da bipolaridade que vai do positivo para o negativo e de forma extremada, como vivos na representação em linha.

Por exemplo:

Expectativas/ possibilidades do Governo TEMER – ser um mar de rosas. Enquanto, o Governo DILMA era retratado como o Governo do caos.

Humores para com o Governo TEMER – leve, sorridente, positivo. Enquanto, o humor para com o Governo DILMA era: pesado, crítico, contrário.

Seletividade para com o Governo TEMER – ótimas escolhas de ministros, nenhum questionamento maior, sobre começar o Governo com 8 ministros citados e/ou indiciados na Lava-Jato. Enquanto, para com o Governo DILMA era: Lula não pode ser Ministro para não atrapalhar as investigações da Lava-Jato, ele estaria querendo fugir das mãos da Justiça de Sérgio Moro sendo Ministro.  E os 8 ministros de Temer, não estão?

E, assim por diante.

Para ilustrar com detalhes a bipolaridade da velha mídia coloco aqui uma lista destes fenômenos e processos para ilustrar este pequeno ensaio/ observação do comportamento da Imprensa brasileira tradicional.

E, fica a ideia, observe você, também, a bipolaridade da velha mídia e veja se tenho ou não tenho razão.

Separando em tópicos.

Lista das bipolaridades da velha mídia.

a) CORES – pensemos nas cores das capas de revista, na harmonia ou desarmonia das imagens e no vocabulário encontrado.

Temer = branco, verde, azuis (cores frias).

Dilma = Amarelo, laranja, vermelho e preto (cores quentes).

O fenômeno das cores é importantíssimo para a bipolaridade, cores quentes denotam e atraem mais violência, mais caos, lembram fogo, o preto lembra escuridão, etc. Temer é retratado em tons frios, são mais amenos, mais sóbrios, trazem mais claridade e até paz. O Inferno é vermelho, o Céu azul e branco, certo?

Vá até a banca de jornal e veja as capas atuais sobre Temer da Veja, Exame, Istoé e Época e comprove a diferença das capas sobre Dilma. As capas estão positivas, esperançosas, sérias e harmoniosas com Temer e nas cores frias, azul, verde, branco destacadas. Da capa que dizia que a crise duraria anos (Dilma) para a capa que já antevê a saída da crise (Temer) não se precisa de mais de 1 dia de Governo Temer.

b) HUMORES – pensemos nos jornalistas noticiando ou comentando algo de Dilma e de Temer.

Temer = leve, sorridente, positivo, concordante, opinativo do bem. Temer é enérgico, ouvinte, paciente, inteligente, sábio e tem autoridade. 

Dilma = sarcástico, pesado, crítico, contrário, gaguejante, perseguidor, duvidoso, opinativo do mal. Dilma é enérgica, brava, não ouve ninguém, incapaz e sem autoridade.

c) EXPECTATIVAS E POSSIBILIDADES dos seus governos.

TEMER = mar de rosas, acertos, capacidade, organização, competência e confiança. 

DILMA = caos, tudo errado, incompetência, corrupção, desconfiança e desaprovação.

d) IMAGENS – pensemos estar observando uma cena de um filme ou uma foto, onde estariam postos Temer e Dilma.

TEMER = clara, alegre, altiva, iluminada, limpa, com Flashes, harmonizada, gente sorrindo e bem-vestida.

DILMA = escura, triste, suada, isolada, cabisbaixa, sofrida, desfocada, violenta, protestos, gente esbaforida e descuidada.

e) SONS – pensemos no que se ouve ou não se ouve na cena de um filme de Temer e de Dilma.

TEMER = aplausos e calmaria (ordem).

DILMA = vaias e gritaria (desordem).

f) NOTICIÁRIO – pensemos em um Telejornal, por exemplo, o Jornal Nacional e como são retratados Temer e Dilma.

TEMER = positivo, concordante, ações corretas, manchetes reconfortantes, elogioso e capaz de ouvir/ entrevistar Temer.

DILMA = negativo, discordante, ações incorretas, manchetes alarmantes, acusatório, violento e incapaz de ouvir/ entrevistar Dilma.

g) VOCABULÁRIO – pensemos nas palavras e expressões utilizadas para retratar os Governos Temer e Dilma, através de manchetes da Imprensa, não importando o jornal específico, o portal ou o autor da matéria, é só ilustrativo.

TEMER = Temer diz que vai fazer um Governo de “Salvação Nacional”; Saiba quais serão os primeiros passos de Temer como Presidente; Temer fala em manter programas sociais e reequilibrar contas; Temer anuncia nesta quita medidas para combater a recessão; Temer Presidente: o Brasil tem pressa, etc.

DILMA = Marina critica primeiras medidas econômicas de Dilma; o custo da guerra de Dilma contra o Impeachment; Lula está deprimido, muito preocupado e de “saco cheio” de Dilma; Dilma lidera, mas Lula está preocupado; PMDB apresenta receita anti-Dilma na economia, etc.

Pelas primeiras manchetes de Temer se vê o tom positivo e leve em que se trata o Governo Ilegítimo de Michel Temer e com respeito e confiança.

Dilma nas manchetes nos acostumamos a ver opiniões de terceiros em destaque, intrigas dela com Lula (inventadas, é claro), um vocabulário mais pesado: guerra, negativo: deprimido, mais deselegante: “saco cheio”, o PMDB já tinha o remédio para a “crise” lá em dezembro e utilizaram o: anti-Dilma. É a bipolaridade: anti-Dilma (velha mídia).

h) PERSPECTIVAS – pensemos nas ações praticadas por Temer e Dilma.

TEMER = está no caminho certo, a “sociedade” aplaude e todos sairão ganhando.

DILMA = está no caminho errado, desagrada meio mundo e ninguém ganha.

i) SELETIVIDADE – pensemos na prática habitual do jornalismo da velha mídia e sua bipolaridade e o seletivo fica em evidência.

TEMER = acerto nas escolhas de ministros, mostra-se somente acertos, esconde-se todos os erros (suas primeiras medidas são acertadas sem questionamentos), Governo de “Salvação Nacional”, felicidade, homens bons, bem-intencionados, aponta para o futuro, elogios: agrada ao mercado – é bom para o Brasil, vai dar certo (pensamento positivo), calmaria, aliado de democratas, abençoado, Ministro pode ser indiciado na Lava-jato sem questionamentos maiores, etc.

DILMA = escolhas erradas dos ministros, mostra-se quase que somente os erros, escondem-se quase todos os acertos, tristeza, homens maus, mal-intencionados e corruptos, aponta para o passado, alcunhas pejorativas (comunista, bolivariano, petralha), não vai dar certo, pensamento negativo, protestos, aliado de ditadores, sem bênçãos, desalentado, etc.

Para terminar.

Fica evidente que a partir de agora, enquanto puderem segurar o Temer no Poder e seu projeto socioeconômico para o Brasil, que é o mesmo da velha mídia, o clima pesado do Jornalismo nos tempos de Dilma se finda.

O tema corrupção, o tema “desgoverno”, a manchete garrafal negativa dias e dias seguidos e de perseguição ao PT, Lula e Dilma dão uma trégua para a esperança. Não precisamos mais só de noticias negativas e com vocabulário mais violento, o mesmo que gerou a bipolaridade: “petralhas” e “coxinhas”.

Michel Temer por ser aliado político da velha mídia pode ser tratado com respeito, como Presidente do Brasil, como uma pessoa que quer o melhor para os brasileiros e um homem capaz, mesmo que ele não seja capaz e mesmo que não esteja propondo um plano econômico-social melhor para os brasileiros na sua totalidade.

As manchetes garrafais de corrupção não precisam mais existir, mesmo que a corrupção aconteça em seu Governo, afinal ela não some da noite para o dia, certo? E, nem precisará ser cobrada, de aliado não se cobra investigações e honestidade, senão Temer nem assumiria com as diferentes acusações que pesam sobre ele, na Lava-Jato e fora dela.

Na bipolaridade da velha mídia tudo o que é ruim está do outro lado e lá no outro extremo daquela linha divisória TEMER e DILMA.

A “crise” irá desaparecer! Quem faz “crise” é o outro lado, lá na extremidade oposta, onde está situada DILMA. TEMER é o homem da “solução”!

Corrupção, incompetência, erros na condução da economia, propostas desfavoráveis ao Brasil, escolhas erradas de Ministro, etc. estão na ponta oposta da linha do tempo e, assim, hão de ficar, de agora para frente.

Porém, se DILMA voltar em até 6 meses tudo voltará como – dantes no quartel de Abrantes -.

E alguém ainda duvida da importância, que seria democratizar os meios de comunicação no Brasil, para se ter uma cobertura mais imparcial, mais crítica, diversa da oficial da velha mídia sobre o Governo ilegítimo de Michel Temer?

Cobertura plural para se criar o que é tão saudável ao Jornalismo e a Vida cotidiana: o contraditório, elemento capaz de gerar opiniões outras sobre o Governo Temer e, delas, a gente criar nossas próprias conclusões sobre ele, refletidas e particulares e não impostas pelo pensamento único de apoio, quase irrestrito, ao Governo Temer.

Hoje na velha mídia oligopólica, praticamente, só tem tido ouvido e voz quem é da turma do SIM! Quem é favorável ao Governo ilegítimo de Michel Temer.

Se praticamente só uma voz nos pode dizer sobre o Governo Temer e ela, anda tão radicalmente favorável ao seu Governo como poderemos julgá-lo com isenção e saber, com profundidade, o que ele pretende fazer do Brasil e para quem pretende Governar?

Reflitamos o que acontece no Brasil em maio de 2016.

O Impeachment de Dilma teve o dedo ou não da velha mídia?

Num País com Imprensa plural e noticiário mais honesto, sem esta bipolaridade absurda e fidedigno à realidade dos fatos do cotidiano do Brasil e mais justo para com a Presidenta Dilma o impeachment ocorreria?

Fica para você pensar a respeito destas perguntas finais.

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2 comentários

  1. Seu artigo tem que ser difundido na rede(excelente)

     Gostaria que dissesse quais são as 10 familias que dominam a midia, conheço algumas, não todas,Roberto Marinho disse uma vez que não é o que informamos que manipulamos a sociedade  mas sim o que deixamos de informar.É imprescindivel que toda a midia antiga fale a mesma lingua, quem sai do tom deve ser excluido, ex Monica Iozzi (Video Show) esse exemplo inibe qualquer profissional de imprensa de falar a favor do governo, senão é mandado embora.

    • Carlos Alberto!

      Fico feliz que gostou da minha aula prática.

      As famílias que controlam a mídia brasileira são poucas mesmo e produzem grande parte do conteúdo de notícias que nós temos acesso para sermos informados sobre o Brasil e o Mundo.

      Existem mídias regionais e locais, porém, na sua grande maioria, quando o assunto foge da cidade/ da micro-região, onde está situado o jornal ou a rádio locais/ regionais se recorre as mídias nacionais para informar os brasileiros desses locais sobre assuntos de interesse nacional. 

      A Política de Brasília, por exemplo, uma cidade de 50 mil habitantes dificilmente saberá dela por um repórter local, entende? 

      As poucas famílias que comandam a velha (grande) mídia brasileira é que serão o informante desses meios de comunicação pequenos. E, ai se dá a força enorme das poucas famílias. Além, de as redes de TV de alcance nacional e com audiência, também, estarem ligadas à oposição e a Temer, no máximo ao silêncio sobre o Governo Dilma.

      Imaginemos a força da Rede Globo e sua audiência que chega a mais de 50% dos televisores ligados, depois tem ainda o portal G1, como fonte primária para muitas outras mídias e brasileiros e todas as rádios, Globo e CBN AM e FM + jornais e revista semanal, etc. como fontes primárias da Política Nacional. 

      Junta-se a Rede Globo, a Band, a Rede Record, a Rede TV, um pouco o SBT (que deu uma equilibrada nas coisas depois que o LULA salvou seu banco para ele não falir),  a Rede RBS do Jornal Zero Hora, os jornais Estado e Folha de penetração nacional, a Rádio Jovem Pan que é forte na Internet, a Editora Abril e a revista Veja, a revista Istoé, um ou outro veículo de comunicação do Nordeste e se chegam às famílias que dominam o conteúdo das informações sobre o cotidiano do Brasil e do Mundo para os brasileiros.

      Imaginemos que tivéssemos 5 ou 6 emissoras de TV fortes e audiências divididas, cada uma com uma forma de noticiar o Brasil e o Mundo, sendo capaz da gente ver uma emissora com audiência ouvindo Dilma, elogiando o Bolsa Família, o Mais Médicos, sendo mais equilibrado o noticiário, não indo de um extremo para o outro no humor, na forma de comunicar os acontecimentos de um Governo aliado e de um não aliado como tudo seria diferente.

      Imaginemos diferentes ideologias de esquerda, de centro, de direita, pró-mercado, Capitalista desenvolvimentista e uma socialista na hora de ligar a TV, o rádio que saudável seria, não é verdade?

      Teríamos várias vozes e várias opiniões e ideologias se misturando e as pessoas teriam vários lados de uma mesma notícia, formaríamos o contraditório e a reflexão particular e até a chance de ver notícias sonegadas na TV e no rádio, porque o aliado da velha mídia não pode ser exposto por seus erros, entende? Alguém/ alguns meios de comunicação noticiaria (m). 

      Tendo apenas uma ideologia e esta radicalidade de trocar a notícia pela ideologia e defesa dos aliados políticos não acontece assim. O noticiário fica de mão-única, só tem a chance dessa bipolaridade do texto e ficamos presos ao pensamento único e parcial, não há pluralidade e, sim, uma única possibilidade de ler a notícia, que de tanto se parecer igual em cada veículo da velha mídia se torna uma verdade, que parece incontestável.

      Imaginemos a força da velha mídia em determinar a pauta do noticiário brasileiro, de impedir que um Juiz possa dar uma sentença desfavorável ao aliado político da velha mídia, por medo que sua reputação seja assassinada, tenha ameaças seus familiares, etc.

      É grande e comum. 24 horas de perseguição diária sobre Lula retira dele a popularidade de 87% de quando saiu do Governo, certo? E, ele, além de tudo, não tem espaço na velha mídia oligopolizada para se defender. Não dariam voz, porque a chance da bipolaridade ruir é grande. Lula, um personagem do polo negativo poderia migrar para o polo positivo e bagunçar todo o jogo, entende? 

      E neste oligopólio midiático há a possibilidade, que é real, de combinação de não se tocar em determinado assunto ligado à própria velha mídia. Por exemplo, a sonegação de impostos da Rede Globo de Televisão para compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002. Ninguém toca no assunto na velha mídia e parece que não é notícia, que não existiu o fato, só a Internet e blogs e portais como o GGN noticiam.

      Porém, imaginemos a TV Globo noticiando algo no Jornal Nacional e 30 milhões de pessoas ouvirem ao mesmo tempo e 50 on-lines lerem da sonegação da Globo aqui no GGN.

      Quem leva vantagem na notícia e qual se espalhará? A da Rede Globo como um furacão, a da sonegação da Rede Globo será uma marolinha.

      Valeu pela leitura.  

      Um abraço,

      Alexandre!

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