Folha admite fracasso do uso eleitoral do mensalão

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Pauliceia descolada

Dianteira de dez pontos do petista Haddad na pesquisa Datafolha para o 2º turno indica efeito eleitoral até aqui modesto do mensalão

A primeira pesquisa Datafolha sobre o segundo turno da volátil eleição em São Paulo confirma prognósticos sobre migração dos votos de Celso Russomanno (PRB) e Gabriel Chalita (PMDB) em favor de Fernando Haddad (PT).

O petista tem 47% das intenções de voto, dez pontos à frente de José Serra (PSDB). Contados apenas os votos válidos, Haddad venceria por 56% a 44%, se a eleição ocorresse no momento de realização da pesquisa. Só 8% dos ouvidos se dizem indecisos, o que estreita -mas não elimina- o espaço para uma reviravolta.

Entre os que sufragaram Russomanno, 56% declaram intenção de eleger Haddad, contra 25% a favor do tucano. Os eleitores de Chalita revelam preferência menos acentuada: respectivamente, 43% e 34%.

Até a realização das entrevistas pelo Datafolha, nenhum dos dois políticos, nem seus partidos (que integram a base de apoio do governo federal), havia manifestado apoio a Haddad. Russomanno e o PRB refugiam-se numa neutralidade que mais parece abulia. Chalita e o PMDB, talvez com mais chance de arrancar concessões do PT, mais uma vez evidenciaram a sempre presente disposição para valorizar-se em negociações.

O que também se confirma com os resultados do Datafolha, em larga medida, é o peso da rejeição a José Serra (no último levantamento antes do primeiro turno, ela estava em 45%).

Serra parece enfrentar algo como um “recall” negativo, um desgaste de imagem por ter concorrido em sucessivas eleições (para o qual terá contribuído a promessa descumprida de não deixar a prefeitura a fim de candidatar-se a governador). Além disso, carrega o fardo de defender a administração do afilhado e sucessor Gilberto Kassab (PSD), tida como ruim ou péssima por 48% dos paulistanos.

Por suas primeiras declarações após o primeiro turno, o tucano se mostra inclinado a jogar todas as suas fichas no escândalo do mensalão. Não parece muito provável, contudo, que consiga reverter a desvantagem inicial por essa via.

O processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal já estava a todo vapor no primeiro turno. Ninguém duvidava àquela altura que a cúpula do PT sairia condenada, mas isso não impediu Haddad de ultrapassar Russomanno.

As entrevistas do Datafolha sobre o segundo turno foram feitas nos dois dias em que o STF tomou sua decisão histórica contra a corrupção, o que não aparenta ter prejudicado o petista. Seu crescimento na periferia pobre de São Paulo, que antes se inebriava com a promessa Russomanno, sugere que as razões do voto paulistano passam longe dos eventos em Brasília.

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