Governo articula para derrubar Renan da relatoria da CPI da Covid, diz colunista

Segundo fontes palacianas, a decisão de partir para uma postura ainda mais radical foi tomada depois do depoimento do ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – As tentativas do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) frear a atuação do senador Renan Calheiros (MDB-AL) como relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 avançam e a ordem é que governistas tirem o senador “do sério”, durante depoimento do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, marcado para a próxima quarta-feira, 19. As informações são do colunista Tales Faria, no Uol.

Segundo fontes palacianas ouvidas pela coluna, a decisão de partir para uma postura ainda mais radical foi tomada depois do depoimento desta quarta-feira, 12, do ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten.

Para o governo, o ex-secretário saiu do depoimento com sua imagem pessoal muito deteriorada, porque deixou claro que estava mentindo, e deu munição para a oposição na CPI, principalmente, ao entregar cópia da carta enviada pela Pfizer a Bolsonaro e ministros. O documento mostra que, desde o ano passado, o governo tinha uma proposta de compra de grandes quantidades de vacinas contra o coronavírus, mas nada foi feito.

“Mas, para o Planalto, houve um ganho nisso tudo: Renan Calheiros viu-se obrigado a um gesto de radicalismo, pedir a prisão de Wajngarten. Isso trincou a relação do grupo de oposição ao governo na CPI com os chamados independentes, liderados pelo presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM)”, explicou Faria. 

Agora, a estratégia seria convencer o grupo independente de que, com Renan como relator, os trabalhos da comissão se tornarão inviáveis e, assim, ser firmado um acordo em que o senador abriria mão do posto em favor de outro emedebista. 

O depoimento de Eduardo Pazuello, que deve ocorrer na próxima quarta-feira, 19, pode ser usado como um momento ideal para “tirar Renan do sério”. “Renan como já se viu na última vez que concorreu a presidente do Senado, tem um temperamento explosivo. Se sofrer muitos apupos, pode acabar dando razão aos que dizem que ele não tem isenção nem equilíbrio para atuar como relator’, destacou a coluna. 

Bolsonaro repete Flávio

De acordo com Tales Faria, o Planalto também não gostou do desempenho dos senadores governistas na comissão e avaliou que “está faltando energia para a chamada tropa de choque na defesa do presidente”. 

Para Bolsonaro, o melhor desempenho na CPI foi de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que não é membro do colegiado, mas foi à sessão nesta quarta para defender Wajngarten e chamou Renan Calheiros de “vagabundo”. 

O mandatário repetiu o seu filho nesta quinta-feira, 13, e também ofendeu o relator da CPI. “Sempre tem algum picareta, vagabundo, querendo atrapalhar. Se Jesus teve um traidor, temos um vagabundo inquerindo pessoas de bem no nosso país. É um crime o que vem acontecendo com essa nessa CPI”, disse em discurso em Maceió, que é base eleitoral de Renan Calheiros.

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