Haddad quer aprovação de reformas no 1º semestre

Do Estadão

Haddad quer reforma urbana aprovada em 2013 com ajuda do PSD de Kassab

Prefeito eleito aponta como prioridade mudanças na legislação tributária e de ocupação de solo; aproximação com antecessor já está em curso

O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciou ontem a intenção de aprovar já em 2013, seu primeiro ano de mandato, um pacote de projetos que envolvem mudanças na legislação tributária e de ocupação do solo. Trata-se do primeiro passo para que o petista promova a reforma urbana prometida em campanha.

Para isso, Haddad vai investir no apoio do PSD do prefeito Gilberto Kassab, cuja administração criticou com veemência e a quem chegou a chamar de “prefeito de meio expediente”. O petista não exclui a possibilidade de abrigar a sigla em no seu secretariado.

Kassab, que apoiou José Serra (PSDB) e classificou Haddad de “péssimo ministro da Educação” na campanha, articula a formação de uma bancada própria na Câmara Municipal, por onde os projetos terão de passar.

A possível presença do PSD na base petista já deve entrar na pauta do encontro que ambos terão hoje, quando a transição “de alto nível” que prometeram terá início. A reunião ocorre dois dias depois de Haddad ter sido eleito sob a bandeira da mudança e logo após a visita à presidente Dilma Rousseff, em cujo governo Kassab vai embarcar a partir de agora.

Haddad disse que enviará à Câmara no primeiro semestre de 2013 o projeto de Plano Diretor e os de leis complementares, como a do zoneamento e o novo Código de Obras.

Contudo, ao mesmo tempo em que planeja os primeiros passos como prefeito, o petista terá de equacionar a formação de maioria no Legislativo para aprovar essas reformas.

O petista disse aguardar os entendimentos de Kassab com o PSB, mas afirmou não “ver hipótese de a bancada do PSD” lhe fazer “oposição sistemática”. “Independentemente do rumo do PSD, as condições de diálogo estão dadas. Kassab manifestou desejo de ajudar a construir, de colaborar. Com independência, mas com abertura”, disse Haddad, na primeira entrevista coletiva após a eleição.

À TV Globo, Haddad anunciou sua primeira ação de governo. “Minha primeira medida será dar ordem para a desapropriação de terrenos para a construção das 172 creches com recursos federais e dos 3 hospitais”, disse.

Além da reunião com Kassab, o prefeito eleito encontra-se hoje com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), com quem disse querer firmar parcerias e “dividir o sucesso” delas. Haddad declarou que gostaria de levar adiante ações citadas pelo tucano José Serra nessa questão. “(Serra) chegou a divulgar que o governo do Estado teria terrenos disponíveis perto de estações da CPTM e do metrô para a construção de creches. Não é porque o Serra perdeu que eu não vou aceitar os terrenos”, afirmou.

Maluf. Indagado se o deputado Paulo Maluf (PP-SP) poderia indicar nomes para a Secretaria de Habitação – área que o PP controla no governo federal e no Estado -, o petista respondeu: “Não trabalho com indicação de caráter pessoal”. Ele afirmou que as tratativas com o PP vêm sendo feitas com o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, e desviou da pergunta sobre a presença de Maluf em seu discurso da vitória: “Trato todo mundo pelo mandato que tem. O Paulo Maluf é deputado. Trato a deputados e vereadores com a educação usual”.

Haddad disse que, até o segundo ano de gestão, espera pôr em prática o Bilhete Único Mensal e o fim da taxa de inspeção veicular, duas promessas de campanha. / BRUNO LUPION, FERNANDO GALLO e RICARDO CHAPOLA

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