Hamilton Mourão conclama por maior intervenção militar, por Luis Nassif

Mourão volta aos seus tempos de Clube Militar, e conclama para uma maior intervenção militar, indo em direção contrária à posição do Alto Comando das Forças Armadas

Em artigo no Estadão de hoje, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, volta aos seus tempos de Clube Militar, e conclama para uma maior intervenção militar, indo em direção contrária à posição do Alto Comando das Forças Armadas. Não há outra leitura do artigo. E levanta os mesmos argumentos de 1964, inclusive invocando um genérico “É o que os brasileiros esperam de suas Forças Armadas”.

De início, encampa o bordão preferido do mercado e da mídia, o bálsamo das reformas genéricas “imprescindíveis”, como a tributária, a administrativa e a política. Depois, ataca o desvirtuamento da administração pública, “atingida em cheio pela corrupção e pelo clientelismo político”.

Defende a opção por Bolsonaro, como uma “clara escolha pela condenação do maior caso de corrupção da História, pelas reformas que promovam a retomada do desenvolvimento e pelo combate à violência, compromissos deste governo com a sociedade brasileira”.

Defende a participação dos militares no governo “como cidadãos no pleno exercício de seus direitos”, e que trouxeram para o governo “aporte de valores caros à profissão militar, como lealdade e probidade, e de competência técnica, requerida para qualquer função no serviço público, mas é muito para um país que teve sua máquina administrativa aparelhada pela política partidária e, não raro, pela ideologia”. Nem se dá conta do paradoxo de defender uma reforma administrativa que multiplica por mais de uma dezena os cargos comissionados, em detrimento dos funcionários concursados e permite o aparelhamento do estado por um número incalculável de militares.

Insiste mais uma vez que o papel das Forças Armadas é a defesa da Pátria e “a garantia dos poderes constitucionais”, um eufemismo para a luta contra o inimigo interno.

No final, uma clara conclamação a uma maior participação militar no governo.

“Neste momento de dificuldades por que passa o País ela espera mais. Ela conta que seus militares, da ativa e da reserva, não se esqueçam dos seus compromissos com a Pátria que juraram defender, servindo-lhe com ou sem uniforme, ciosos de sua cidadania, orgulhosos do que fizeram e confiantes no que podem fazer de bom para o bem do País. É o que os brasileiros esperam de suas Forças Armadas”.

Ou seja, coloca como o maior desafio brasileiro as tais reformas genéricas e o suposto aparelhamento da máquina do Estado. E, depois, conclama militares da ativa e da reserva a não esquecer “dos seus compromissos com a Pátria que juraram defender”.

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