A China e o Tibete

Arrisco uma discussão longa… mas não resisto.

O Tibete faz parte da China há cerca de 700 anos. A incorporação foi feita pelos Mongóis, desde a época de Gengis Khan, primeiro imperador da dinastia mongol na China. Somente na época das guerras imperialistas contra a China é que houve uma quase separação do Tibete, incentivada pela Grã Bretanha. (A época é posterior a Guerra do Ópio e inclue a divisão da China entre as grandes potências, incluindo Rússia Czarista…)

Sobre o Dalai Lama (entenda-se ‘a encarnação do Dalai Lama’): primeiro, descoberta de quem encarnou o Dalai Lama; segundo, educação e auto-reconhecimento do Dalai Lama encarnado; terceiro, coroamento do processo pela China que era a autoridade final sobre o assunto. Uma parte desse processo é descrito pelo próprio Dalai Lama atual. O que se esquece é que ele foi reconhecido pelo Presidente da China, Chiang Kai Chek, no período anterior a Revolução Socialista, época em que já não havia imperador.

Quando houve a Revolução Socialista as tropas Comunistas estacionaram junto ao Tibete e negociaram uma mudança no Regime Tibetano: fim da escravidão (só existia no Tibete); fim da servidão (servos só existiam no Tibete) e outros pontos. O resultado foi aprovado formal e publicamente pelo atual Dalai Lama.

O Dalai Lama foi indicado para a Assembléia Popular da China — sem eleição pois não caberia submeter o Dalai Lama a uma eleição — onde veio a ser um dos Vice Presidentes de toda a China.

A situação entre os dois grupos — Comunistas e líderes tibetanos — foi deteriorando ao longo da década de 1950, devido a reformas (talvez apressadas demais) sobre a questão agrária e sobre a educação. Ademais a interferência passou a ser dos EUA.

Foram divulgados documentos oficiais pelo Departamento de Estado americano que mostram toda a influência dos EUA (leia-se CIA e outras agências). Os separatistas tibetanos eram treinados em diversos países, incluindo os EUA, recebiam verba da CIA, incluindo o Dalai Lama — que, depois da divulgação dos documentos, simplesmente agradeceu publicamente o apoio recebido…

Por volta de 59 explode a revolta armada dos pacíficos e pacifistas monges tibetanos, com armas e treinamento e dinheiro da CIA. Não havia outra forma de responder que não fosse repressão armada, repressão pelas Forças Armadas Chinesas. O que pode ser criticado é: valeria a pena um novo acordo? valeu a pena implementar todas as reformas pendentes e fazê-lo de forma radical após a derrota dos monges pacifistas armados?

Não tem muito jeito de negar a história. A não ser com o apoio da Grande Mídia que tudo esquece sobre o Tibete e nada cobra do Dalai Lama, mesmo quando documentos (antes) secretos são publicados. O Tibete faz parte da China sim. Os conflitos são entre grupos separatistas e o governo central, centralizado no Partido Comunista. Nunca um conflito entre China e Tibete.

Mais um ponto: são 49 nacionalidades integrando a China… Aceitar o separatismo é não permitir a existência desse imenso mosaico. Ademais fere de morte os chineses Han, que conseguiram conquistar seus conquistadores: os mongóis invadiram e dominaram a China impondo seu grande Khan como imperador… da China. Os manchus passaram pelo mesmo processo, 300 anos depois dos mongóis. Quebrar um país que assimila seus conquistadores é fazer jogo por demais inaceitável.

Pelo fim do separatismo! O Tibete é livre!

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