Aos que querem a bomba

 

Somos o futuro do mundo.

Um certo presidente, reunido com outros presidentes em uma luxuosa estação de esqui do velho mundo, disse que o Brasil não quer ser uma nova potência em um mundo velho, mas a potência de um mundo novo. Ou alguma coisa parecida. Não importa.

 O que importa é o espírito. Um certo físico brasileiro, por sinal o que desvendou os descaminhos e desencontros do átomo em um pedaço decadente de matéria em ebulição capaz de volatilizar o sonho de milhões em poucos segundos, deblaterou: o que importa não é fazer, é mostrar que se sabe fazer. Podemos, mas não queremos, este é o espírito. Não precisamos. O nosso poder é outro, é um poder novo, jovem, vicejante, refrescante e contagiante. Não vamos, não precisamos e não queremos salgar a terra onde antes se erguia a orgulhosa Cartago, não vamos bombardear os portos da China para obrigar o imperador a comprar o nosso ópio. Vamos tirar as nossas crianças das minas de carvão antes que os que as exploram acumulem o poder de nos dizer o que fazer. E não vamos nos dobrar aos ditames dos que regem os destinos do mundo do alto de uma montanha de cadáveres, nem emular os que acumularam o poder que agora começam a perder explorando crianças nos cinco continentes.

Já erramos muito, e continuamos errando, mas aprendemos com os erros e seguimos em frente, ao contrário de outros que se agarram ao passado e nem desconfiam da profundidade abissal da própria perda. 

Vivemos na parte mais jovem do mundo. Somos o irmão maior e mais espalhafatoso de uma família irrequieta e colorida, cheia de vigor, de projetos e de ideias que vão transformar o mundo à nossa imagem e semelhança. Somos, sim, o país do carnaval, das murgas, do candombe, das fondas, dos carnavalitos e da dança nos túmulos no dia de Finados, a terra do tango, do mambo, do samba, da salsa, do bolero e das rancheras, e temos muito orgulho disto. Estamos cravados no continente da alegria, e é ela que nos faz fortes.

Não precisamos nos armar, precisamos é desarmar os outros. Somos o maior, mais populoso e mais rico país da mais importante zona oficialmente livre de armas nucleares do mundo. Bomba atômica é uma coisa de velhos sinistros, é a marca do velho mundo, e não vamos assumir o lugar que nos cabe no mundo nos termos deles, vamos – porque podemos – impor ao velho mundo os nossos termos, promovendo a cooperação e o desenvolvimento, intervindo para desarmar conflitos e assumindo corajosamente um papel de liderança na luta pela defesa do Tratado de Não Proliferação e pela realização do seu objetivo supremo, que é o total desarmamento nuclear.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome