O conservadorismo político americano

Os estadunidenses, em geral, massacrados pela propaganda capitalista do monopólio da informação das mídias corporativas, embalado do berço ao túmulo pela ideologia individualista burguesa, não vendo alternativas para escolher, votam com os pés: simplesmente se afastam dos locais de votação!

A participação nas eleições, nos EUA, é risível. Para presidente, pouco mais do que a metade dos eleitores vai votar (com raras exceções, como a eleição do Obama, em que parecia que havia uma alternativa). O que significa que NENHUM presidente estadunidense foi eleito pela maioria dos cidadãos. Nas eleições para o Congresso, pouco mais de um terço:

http://www.infoplease.com/ipa/A0781453.html

Isso para não falar que o sistema de Colégio Eleitoral, frequentemente, elege o presidente que teve MENOS votos na eleição popular. Por exemplo, Bush, que foi empossado por decisão da conservadora Suprema Corte, com a maioria dos juízes nomeados por Reagan e por seu pai, que interrompeu a contagem de votos na Flórida que daria os votos do Estado, no Colégio Eleitoral, para Gore, não teria nenhuma chance, nem com a desconsideração dos votos efetuada no canetaço, se valesse o voto direto dos eleitores: Bush teve 50.456.002 votos contra 50.999.897 de Gore (notem, “en passant”, que o número de eleitores que votou nos dois candidatos burgueses é pouco maior do que 100.000.000 em um país com uma população com mais de 300.000.000 de habitantes, sendo que menos de 25% são menores de idade!). 

O próprio representante do império no blog, Andy Araújo, nos fornece as evidências do caráter antidemocrático (mesmo pelos seus próprios critérios burgueses) das eleições estadunidenses. Fala na participação dos eleitores nas prévias dos Partidos Democrata e Republicano. E os outros partidos? Aliás, não havendo Justiça Eleitoral, nos EUA, são comissões do partido único republicrata que sancionam ou indeferem a participação de terceiros partidos (naturalmente, conforme os interesses da oligarquia governante).

E isto em situações de normalidade. Os períodos de “red scare”, maccarthismo, uso do FBI contra os movimentos sociais (COINTELPRO), são reiterados, na história do país, apesar da ameaça da classe trabalhadora ao sistema ter, sempre, sido frágil. Imaginem o que não fará a oligarquia quando a crise do capitalismo e o declínio imperial criarem as condições para uma ameaça séria ao domínio plutocrático. O Tea Party nos dá uma ideia do que virá!

O lema da democracia estadunidense é aquela famosa frase de Ford: “Carro pode ser de qualquer cor, desde que seja preto”. Todos têm direito à expressão, desde que não ameace o sistema, nem se dissemine muito, se for contrária ao mesmo. As crises que você citou, por acaso, coincidem sempre com a maior disseminação de ideias que ameaçam o sistema ou maior organização e agitação na classe trabalhadora. E elas perpassam toda a história estadunidense. 

Eugene Debbs não foi preso no tempo do maccarthismo:

http://en.wikipedia.org/wiki/Eugene_V._Debs#Arrest_and_imprisonment

Nem o COINTELPRO ocorreu durante o período de ação do senador Joseph McCarthy:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Programa_de_Contraintelig%C3%AAncia

http://en.wikipedia.org/wiki/COINTELPRO

Araújo, eu não sou hipócrita. Enquanto houver classes sociais diferenciadas, existirá a luta de classes e a hegemonia de uma sobre as outras. Nessas condições, as democracias são fachadas. O “democrata” Araújo é um defensor do regime militar brasileiro, como já revelado neste blog (se eu não me engano, em um post de Luiz Lima). Usa um critério muito peculiar nas críticas a ditadores. Quando lhe convém defender o império, as relações com ditadores e reis medievais é uma obra-prima de diplomacia realista, quando não convém à sua defesa do império, Lula (ou outro desafeto político) é um exemplo de política “burra” ou “criminosa”. O peixe morre pela boca. O conjunto dos comentários de Araújo atestam para esta simples verdade: a democracia, para ele como para o império que defende, é um conceito-ferramenta para a propaganda. Ele é usado quando convém e descartado quando não convém. Sem crises de consciência. Não que fosse possível ser diferente no capitalismo. Mas é nossa tarefa desmascarar essa hipocrisia.

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