O genocídio na Líbia

Nassif, postei ontem no Clipping, posto de novo pois achei a notícia importante e diferente do que a mídia tem noticiado. Se este relato estiver certo, está ocorrendo uma chacina sem tamanho na Líbia, 10 mil valas comuns não é bolinho!! 

Marcos Hoshino

Do Terra Magazine

Fúria sanguinária de Kadafi provoca êxodo: 1,5 milhão para a União Europeia. Em fossas abertas comuns: 10 mil mortos

Tripoli. fossas abertas para cadáveres não identificados

1. Imagens enviadas por um cinegrafista amador mostram em Trípoli, e vizinho ao mar, a abertura de fossas onde estão sendo enterrados os mortos da sangrenta repressão ordenada por Muammar Kadafi, aquele que, no seu Livro Verde, escreveu que na Líbia o povo é que governa pela Jamahiriya.

Segundo a agência Al Arabyia, o número de mortos passa de 10 mil. São estimados 50 mil feridos. Balanço fechado com dados colhidos até ontem.

Na Líbia não existe liberdade de expressão nem de associação. Os que tentam se reunir ou se expressar são encarcerados ou mortos. Apenas a agência Al-Jazeera, com sede no Catar, pode operar na Líbia.

Dezenas e dezenas de fossas estão sendo abertas e os corpos, sem identificação, são jogados nelas e cobertos com areia e cimento.

Em Trípoli calcula-se que mais de mil revoltosos líbios foram executados pela polícia e pelos mercenários africanos contratados por Kadafi (os mastins de Kadafi, segundo o jargão popular).

A Al-Jazeera fala em êxodo, com 20 mil líbios em fuga para o Egito, pelo vale de Sallum. Para a União Europeia o número é bem maior: 1,5 milhão de imigrantes.

Dois navios líbios de guerra estão fundeados defronte a Bengasi e disparam quando os oficiais da Marinha notam aglomerações.

2. Em entrevista dada em 1979 à saudosa jornalista Oriana Fallaci, o tirano Kadafi explicou que promoveu um golpe militar para a derrubada do soberano (1969) e, depois, o povo legitimou o seu ato e se iniciou a revolução.

Kadafi disse na entrevista que é apenas um consultor sem poder de decisão. Não impõe nada ao povo, que se autogoverna. Por isso, não é presidente nem ministro: “Eu, particularmente, não faço nada mais do que apelar às massas, que governa sozinha. Digo ao meu povo o seguinte: se vocês me amam, escutem-me. E o povo governa sozinho. Por isso o povo me ama. Me ama porque ao contrário de Hitler, que falava fazer tudo pelo povo, eu falo o contrário ao povo, ou seja, façam vocês mesmos por vocês”.

A entrevista de dezembro de 1979 foi republicada hoje no site e nas páginas do jornal Corriere della Sera:http://www.corriere.it/esteri/11_febbraio_23/e-a-oriana-diceva-voi-ci-massacrate-oriana-fallaci_4c8c7538-3f17-11e0-ad3f-823f69a8e285.shtml

Ontem em Tripoli, o povo destruiu o símbolo que Kadafi fincou em lugar de destaque. O símbolo, o “livro verde”, foi destruído. E o tal livro verde, de poucas páginas, foi um marketing de Kadafi. Ele quis imitar o livro vermelho de Mao Tse-tung. Só que para se ler o livro verde são necessários poucos minutos.

PANO RÁPIDO. Kadafi, pela força, retomou o controle de Trípoli. Aproveita-se de a revolta ter nascido de forma espontânea, entre jovens e sem liderança. Sua fúria vai encontrar a resistência tribal, que é organizada.

Enquanto isso, Kadafi ameaça a Europa no caso de represálias. Ameaça abrir as portas do litoral líbio para a saída, em direção à Europa, de imigrantes procedentes de toda a África.

Uma coisa é certa. Na Líbia existe um ditador tirânico, que usa a retórica de que o país é governado pelo povo e não existe oposição.

Wálter Fanganiello Maierovitch 

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