O nacionalismo árabe laico

O Assad é o último grande representante do nacionalismo árabe laico, infinitamente melhor que os regimes islamizados do Irã e da Arábia Saudita, entre outros. E, temperado por anos de derrotas sucessivas, sabe que é preciso chegar a algum tipo de acomodação com Israel; costuma resistir à tentação da demagogia fácil anti-Israel, mas, ao mesmo tempo, sabe traçar claramente os limites além dos quais não está disposto a ir nas negociações de paz. 

Houve, por algum tempo, uma articulação para armar em encontro no Brasil entre o Assad e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, a partir de um pedido feito pelo presidente de Israel, Shimon Peres, durante a visita do presidente Lula a Israel no ano passado, e o chanceler Celso Amorim andou por uns tempos no ano passado frequentando as rotas aéreas entre Damasco e Ancara.

É provável que o ataque israelense à frota de ajuda humanitária a Gaza tenha tido como efeito colateral o abandono desta ideia, mas está claro que o capital político adquirido pelo Brasil no Oriente Médio nos últimos anos foi reforçado pelo papel que tivemos nas negociações que levaram ao acordo Brasil-Irã-Turquia em maio último – ao contrário do que parece pensar uma corrente que parece estar ganhando a maioria no Itamaraty.  O que o governo brasileiro precisa entender agora é que há momentos em que a diplomacia se torna uma coisa séria demais para ser deixada nas mãos de diplomatas, e que uma decisão política precisa ser tomada, para que, no caso em pauta, o resultado de anos de trabalho não seja jogado no lixo.

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