Obama inicia debate sobre migração

Do Estadão

Obama inicia debate sobre imigração

Presidente americano quer que republicanos e democratas juntem-se para aprovar lei bipartidária para reforma do sistema

Denise Chrispim Marin – O Estado de S.Paulo

CORRESPONDENTE / WASHINGTON

Acuado por leis estaduais e municipais que estão surgindo nos EUA e pelas eleições legislativas de novembro, o presidente americano, Barack Obama, acionou a máquina para a aprovação de uma nova lei de imigração. Ontem, em um discurso sobre o tema na Universidade Americana, em Washington, Obama incitou seus opositores republicanos a juntar-se aos democratas para a conclusão de uma proposta de lei bipartidária.

“Estou pronto para seguir adiante. A maioria dos democratas também está pronta, assim como eu acredito que a maioria dos americanos esteja. Mas o fato é que, sem o apoio dos dois partidos, como tivemos há alguns anos, não conseguiremos resolver esse problema”, afirmou o presidente. “Uma reforma que traga responsabilidade a nosso sistema de imigração não pode passar sem os votos republicanos. Essa é uma realidade política e matemática.”

Segundo Marc Rosenblum, analista sênior do Instituto de Políticas de Migração, Obama precisa de 60 a 80 votos de deputados republicanos para ver uma nova legislação aprovada.

A perspectiva de uma aliança entre os dois partidos ainda neste ano é tão remota quanto a de aprovação dessa nova lei.

“Muitos republicanos não querem uma reforma tão ampla como a sugerida pelo presidente Obama. Além disso, eles sabem que, se a reforma for aprovada, os democratas assumirão o crédito”, disse o analista. Com o sucesso da aprovação das reformas dos planos de saúde e do setor financeiro neste ano, Obama voltou-se para esse tema politicamente delicado e tratado sem prioridade por seu governo até o momento.

A omissão de Washington abriu uma brecha para a aprovação de uma lei no Estado do Arizona que autorizará a polícia a abordar pessoas suspeitas de ser imigrantes ilegais a partir do final deste mês. As pessoas que não portarem documentos serão presas. As ilegais passarão seis meses na cadeia e terão de pagar uma multa antes de serem deportadas.

O problema não está localizado apenas no Arizona, na fronteira com o México. Legisladores de outros 18 Estados e municípios distantes dessa região estão propondo legislações que seguem os mesmos princípios.

Como destacou Obama, o cenário aponta para “uma colcha de retalhos de regras locais de imigração”, em vez de um sistema nacional não discriminatório.

Segundo Rosenblum, as legislações locais refletem a impaciência dos americanos com a inação de Washington sobre um tema que é da esfera federal. Ao levantar sua nova bandeira de “mudança”, Obama não detalhou os pilares da reforma que pretende ver aprovada. Em um comunicado aos eleitores americanos, seu chefe de gabinete, David Axelrod, foi mais explícito ao dizer que o governo rejeita medidas extremas: nem a deportação dos 11 milhões de ilegais nem a anistia para os que cometeram crimes no país.

Obama dedicou boa parte de seu discurso à tarefa de defender-se das críticas da governadora do Arizona, Jan Brewer, de que o governo federal não está cumprindo sua promessa de enviar mais soldados para a vigilância da fronteira com o México. “A fronteira no sul é mais segura hoje que em qualquer período dos últimos 20 anos”, afirmou o presidente americano.

Para entender

Um dos motivos que teriam levado à aprovação da rígida lei de imigração adotada pelo Estado do Arizona, em abril, seriam os constantes episódios de violência registrados na fronteira com o México. A região é cenário de confrontos entre os cartéis do narcotráfico mexicano porque o local é a principal porta de entrada do mercado americano para as drogas produzidas na América Latina. Assassinatos cruéis são comuns na região.

A reação à lei do Arizona fez com que centenas de pessoas, grupos de defesa dos direitos humanos e entidades ligadas a comunidades de imigrantes ameaçassem boicotar produtos e serviços do Estado. A legislação também foi duramente condenada pelo presidente americano, Barack Obama, e por seu colega mexicano, Felipe Calderón. 

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