Juiz assessor do STF ajudou e adiantou informações à Lava Jato

Márcio Schiefler era juiz assessor do STF e teria orientado os procuradores como proceder em investigações, opinado e adiantado informações do Supremo à força-tarefa

Reprodução mensagem da Operação Spoofing

Jornal GGN – Entre as novas mensagens divulgadas da Operação Lava Jato, um juiz assessor de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aparece combinando e orientando os procuradores da força-tarefa de Curitiba nos processos.

O juiz assessor da Corte, Márcio Schiefler, aparece em diversos diálogos das mensagens dos procuradores no Telegram, interceptadas na Operação Spoofing. Schiefler atuou para o ministro Teori Zavascki, ex-relator da Lava Jato no Supremo, e posteriormente para o ministro Edson Fachin.

Atualmente, o juiz atua na 4ª Vara da Fazenda, na cidade de Joinville, Santa Catarina. Nas mensagens, os procuradores da Lava Jato indicam que Schiefler os orientava nos despachos enviados ao STF e que também repassava informações de interesse do grupo.

Carta Capital coletou as mensagens em que o juiz aparece. Uma delas, do dia 14 de dezembro de 2015, o juiz teria adiantado informações e orientado os procuradores a acrescentar dados a uma investigação contra o ex-diretor da Petrobras, Renato Duque.

“Quanto ao Duque, parece que o Márcio [Schiefler] mostrou as info do Juízo e tinham 4 parágrafos, e achou pouco… teria que fazer info adicionais mesmo explicando a diferença entre fundamento e requisito pra ele. Querem fazer uma sessão extraordinária do fim do ano para decidir o HC do Duque. Se fizer as info, creio que seguram”, escreveu Deltan Dallagnol.

Como a Carta Capital apontou, Schiefler orientou Dallagnol a “encorpar” a acusação contra Renato Duque. “Caros, o juiz Márcio disse que a situação da prisão do Duque fica difícil se não tiver sido denunciadas as movimentações que ele fez (…) A menção na denúncia da conta, talvez, já traga algo em que o juiz do STF possa se apoiar dentro da sua confusão mental rs. Vale mencionar”, havia escrito o procurador, no mesmo mês.

As mensagens mostram que Schiefler “adiantou” aos procuradores da Lava Jato informações sobre as investigações do doleiro Adir Assad e do pecuarista José Carlos Bumlai, ambas delações que posteriormente embasaram as acusações contra o ex-presidente Lula.

Ao tratar de Bumlai, o juiz assessor teria antecipado aos procuradores que os casos seriam “complicados” no STF, podendo a Corte liberá-los:

A exemplo do que ocorreu com outras decisões, o juiz teria facilitado aos procuradores da Lava Jato o acesso a despachos dos ministros do Supremo, fora dos protocolos legais:

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Posteriormente, em outra mensagem, no dia 29 de julho de 2016, o então coordenador da Lava Jato, Dallagnol afirma: “O material que o moro [Sérgio Moro] nos contou é ótimo. Se for verdade, é a pá de cal no 9 [Lula] e o Márcio [Schiefler] merece uma medalha.”

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