Manifestação em frente à Globo critica monopólio da mídia

Jornal GGN – Cerca de mil manifestantes se reuniram na Praça Gentil Falcão, próxima à sede paulista da Rede Globo, convocados pelo Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes).O protesto criticou o monopólio da mídia e pediu a revogação imediata das concessões de Rádio e Televisão a políticos. Outros movimentos sociais, como o coletivo Juntos e o Movimento Passe Livre, se uniram à reivindicação que cobra democratização da mídia e da internet.

A manifestação começou por volta das 19h com um discurso que focou na responsabilidade do ministro de Comunicações Paulo Bernardo de “cassar as concessões inconstitucionais dos políticos”; e reivindicou um marco civil para uma internet livre. O protesto teve tom de carnaval com uma ampla maioria de estudantes, sem bandeiras de partidos políticos, que cantaram e dançaram ao redor do prédio da emissora de TV, onde, desde longe, se projetavam frases contra o grupo de mídia. Além de pichação na porta do canal, foram feitas intervenções sobre espaços de publicidade e a troca da placa da ponte Octávio Frias de Oliveira por outra com o nome do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975.

Foto: Nacho Lemus

Veja abaixo a pauta dos manifestantes:

Monopólio da Mídia

Para o Intervozes, o cenário na televisão brasileira é de quase monopólio. Segundo o coletivo, a Globo controla 73% das verbas publicitárias, embora tenha 43% da audiência. Já na TV por assinatura, a Globosat participa de 38 canais de TV por assinatura e tem poder de veto na definição dos canais da Net e da Sky que, juntas, controlam 80% do mercado.

Outra acusação contra o grupo Globo é que o controle, no Rio de Janeiro, dos principais jornais, TVs e rádios, situação que seria proibida nos Estados Unidos e em vários países da Europa, onde há regulação democrática da mídia.

Concessão de Rádio e Televisão para políticos

O artigo 54 da Constituição Federal proíbe políticos de serem proprietários ou diretores de canais de TV e rádio. (firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público).

Fotos: Nacho Lemus

Entretanto, segundo o Intervozes, alguns congressistas controlam concessões de rádio e TV, sem que haja nenhuma punição por infringir a Constituição. Pedro Ekman, coordenador do Intervozes, dá, como exemplo, a família Sarney, que controla a afiliada da TV Globo no Maranhão, assim como o ex-presidente deposto Fernando Collor que tem afiliada da TV Globo no Alagoas. O senador Jader Barbalho, é acusado de controlar a afiliada do Grupo Bandeirante, no Pará, e o deputado estadual José Agripino Maia, de ser dono da afiliada da TV Record no Rio Grande do Norte.

Contra o Grupo Globo

Para o coletivo, a corrupção é marca da holding Globo desde a fundação, diz Ekman, citando a operação na qual a empresa foi multada pela Receita Federal por sonegar impostos na compra dos direitos de exibição da Copa do Mundo de 2002. Outra acusação é a venda espaços editoriais para divulgação de filmes e artistas, “numa verdadeira grilagem eletrônica que a faz absorver recursos incentivados do cinema nacional”.

Segundo a própria descrição do evento no Facebook, “a emissora opera como um partido político, direcionando o noticiário jornalístico a partir de suas opiniões conservadoras (seu programa político) e buscando definir a agenda pública a partir de entrevistados que têm visões alinhadas”. Para o Intervozes, “a mudança na abordagem dos protestos simbolizou bem a transição entre a deslegitimação e a tentativa de cooptação a partir de sua própria pauta”. 

Veja a manifestação no vídeo abaixo: 

 

 

 

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