Movimentos sociais pedem diálogo na construção do projeto energético

Enviado por alfeu

Do Sul 21

Movimentos sociais querem criar espaços de diálogo e mobilização para avançar na construção de um projeto popular energético para o Brasil, em defesa da soberania energética e das empresas estatais do setor . 

Marco Weissheimer

A Plataforma Operária e Camponesa para Energia do Rio Grande do Sul promove, nesta quinta-feira (12), em Porto Alegre, o Seminário de Formação Estadual: Educação, Energia e Indústria no Brasil. O objetivo do encontro é debater o atual modelo energético brasileiro e definir estratégias para impulsionar a defesa da Petrobras e das reservas de petróleo, além de mudanças no modelo elétrico com a destinação de recursos destes setores para a Educação e um desenvolvimento industrial gerador de emprego e renda. O seminário ocorrerá das 9 às 17 horas na Igreja da Pompeia (Rua Barros Cassal, 220), e deve reunir cerca de 400 pessoas de todo o estado.

Os organizadores do evento defendem que o debate sobre a energia deve fazer parte da estratégia de luta popular do conjunto das organizações sociais em todo o mundo. Na avaliação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a privatização do setor elétrico brasileiro representou a transferência do patrimônio público nacional para o capital privado. Nos anos 90, assinala o MAB, o capital privado recebeu mais de 150 empresas públicas dos setores siderúrgico, químico e petroquímico, elétrico, ferroviário, mineração, portuário, financeiro, gás, telecomunicações e informática, além de parte acionária de várias empresas como Petrobras, Eletrobras, Cemig e Sabesp, entre outras. Esse processo de privatizações, aponta ainda o movimento, foi lesivo à população de diferentes formas:

“Quem saiu perdendo foi o povo brasileiro, tendo que pagar tarifas altíssimas, com baixa qualidade dos serviços e perda de soberania. Os trabalhadores da energia sofreram e sofrem com demissões em massa, precarização e terceirização do trabalho, perda de direitos, diminuição de salários, intensificação do trabalho e aumento da jornada. E os atingidos sofrem com aumento da violação dos direitos e a criminalização. A energia hoje está hegemonizada em um grande monopólio privado do capital internacional para permitir a especulação e as maiores taxas de lucro em cada ramo da energia, com prioridade absoluta para geração de valor, especulação e transferência de riqueza aos acionistas. Tudo virou negócio, inclusive os direitos dos atingidos e as questões ambientais”.

Diante deste diagnóstico, um conjunto de organizações sociais decidiu que o debate sobre a energia não pode ser reduzido a questões tecnológicas, devendo questionar o modelo energético como um todo. Além disso, decidiram mostrar à sociedade que não se trata de uma luta apenas da população atingida pelas usinas hidroelétricas e suas represas.

Plenárias regionais

Antes do seminário estadual que será realizado nesta quinta-feira na Igreja da Pompeia, a Plataforma gaúcha realizou plenárias regionais em Porto Alegre, Passo Fundo, Rio Grande, Pelotas, Ijuí, Caxias do Sul, Cachoeira do Sul, Vacaria, Santa Maria e Novo Hamburgo. Segundo o dirigente nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Marco Antônio Trierveiler, outras duas plenárias regionais deverão ser realizadas em Palmeira das Missões e Tenente Portela, na região norte do Estado.

A Plataforma Operária e Camponesa para Energia foi criada em 2010, a partir de uma articulação entre os trabalhadores eletricitários, petroleiros, engenheiros, atingidos por barragens e agricultores. O objetivo é criar espaços de diálogo e mobilização para avançar na construção de um projeto popular energético para o Brasil, em defesa da soberania energética e das empresas estatais do setor elétrico e petrolífero, além de cobrar do governo federal medidas para romper com o atual modelo de energia, baseado na privatização e mercantilização.

Integram a Plataforma gaúcha movimentos populares, sindicais e organizações sociais, tais como Federação Única dos Petroleiros (FUP), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direito (MTD), Levante Popular da Juventude (LPJ), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos (FTM), Via Campesina, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Cpers-Sindicato, entre outras entidades.

 

(*) Com informações do MAB e da Plataforma Operária Camponesa

 

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