Peru dá exemplo de como fazer um “grande acordo nacional”, por Bernardo Mello Franco

Foto: Mariana Bazo/Reuters

Jornal GGN – “A troca do mandato de PPK pelo perdão ao antecessor mostra o que acontece quando adversários políticos se unem para salvar a pele num ‘grande acordo nacional'”, aponta Bernardo Mello Franco em sua coluna na Folha, nesta terça (26).

Frnaco lembra que isso “quase aconteceu por aqui há dois anos, quando Eduardo Cunha ofereceu ao PT um pacto de blindagem recíproca. A ameaça de um acordão à peruana deve voltar em 2018, ano de eleição presidencial.”

Por causa dos respingos da Lava Jato, PPK virou alvo de impeachment de um Congresso controlado pelo grupo político do ex-presidente Alberto Fujimori. Se livrou da degola na semana passada, com ajuda de 10 parlamentares da oposição que se abstiveram de votar.

“Três dias depois, o presidente retribuiu o socorro: concedeu indulto humanitário a Fujimori, que estava preso desde 2005. Ele foi condenado a 25 anos por corrupção e crimes contra a humanidade, numa guerra suja que deixou 70 mil mortos.”

 
Por Bernardo Mello Franco
 
 
Na Folha
 
O que o Brasil tem a ver com a crise política no Peru? Tudo, a começar pelo fato de que a confusão que aflige nossos vizinhos é produto das delações da Odebrecht.
 
O atual presidente, Pedro Pablo Kuczynski, e seus três últimos antecessores são investigados sob suspeita de receber propina da empreiteira baiana. Dois deles já tiveram a prisão decretada pela Justiça.
 
Ollanta Humala está na cadeia há cinco meses, acusado de lavagem de dinheiro. Alejandro Toledo está foragido nos EUA. É acusado de receber US$ 20 milhões para favorecer a Odebrecht na concessão de uma rodovia que liga o Peru ao Brasil.
 
Presidente duas vezes, Alan García foi denunciado sob acusação de fraudes no metrô de Lima. Há duas semanas, ele depôs a uma CPI de nome autoexplicativo: “Comisión Investigadora del Caso Lava Jato”.
 
Agora o foco está sobre Kuczynski, um liberal conhecido pela sigla PPK que chegou ao poder no ano passado. Ele é suspeito de receber propina da Odebrecht quando era ministro. Uma de suas empresas embolsou US$ 782 mil da empreiteira baiana.
 
Controlado pelo grupo político do ex-presidente Alberto Fujimori, o Congresso instaurou processo de impeachment contra PPK. Ele se livrou da degola na quinta-feira, com a ajuda de dez parlamentares da oposição que se abstiveram de votar.
 
Três dias depois, o presidente retribuiu o socorro: concedeu indulto humanitário a Fujimori, que estava preso desde 2005. Ele foi condenado a 25 anos por corrupção e crimes contra a humanidade, numa guerra suja que deixou 70 mil mortos.
 
A troca do mandato de PPK pelo perdão ao antecessor mostra o que acontece quando adversários políticos se unem para salvar a pele num “grande acordo nacional”.
 
Isso quase aconteceu por aqui há dois anos, quando Eduardo Cunha ofereceu ao PT um pacto de blindagem recíproca. A ameaça de um acordão à peruana deve voltar em 2018, ano de eleição presidencial.

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