No Brasil e nos EUA: a mídia serve à banca, por Pedro Augusto Pinho

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Por Pedro Augusto Pinho *

NO BRASIL

GOVERNO E MÍDIA

EXPRESSÃO MAIOR DA HIPOCRISIA QUE HOJE PREJUDICA O PAÍS

Ao iniciar este artigo sobre a farsa que domina nossa sociedade, pensava em desenvolver a relação da imprensa com o Poder. Afinal, o mais antigo exemplo que se tem notícia vem do imperador Julio Cesar ao divulgar as “Acta Diurna”, com as informações e as ordens que lhe interessavam dar conhecimento ao povo de Roma. Mais tarde, nos primórdios da era cristã, foram os chineses quem  divulgaram os fatos dos poderosos nas “Notícias Diversas”, que eles  celebraram, nos anos 1900, o primeiro milênio das suas impressões.

Parece óbvio que o Poder sempre se dispôs e investiu em dar informações que protegessem e defendessem seus próprios interesses. E esta situação perdurou mesmo quando a tecnologia e a diversidade de objetivos permitiram chegar ao conhecimento das pessoas, a minoria letrada, informações e interpretações diferentes sobre os mesmos acontecimentos.

Mas a situação que vivenciamos, desde a segunda metade do século XX e com crescente e total domínio, é da desinformação como instrumento do Poder. Não me recordo, nem nas narrativas da imprensa em regimes totalitários, de situação semelhante. Um fenômeno facilmente constatável pelos que pesquisarem está na quantidade de jornais existentes no Brasil nos anos 1950 e sua relação com a população alfabetizada e a realidade desta segunda década do século XXI. A concentração, de recursos, de ganhos e da informação, é um objetivo do Poder que desde então se implantou.

Mas que Poder é este que domina toda divulgação da informação, não só a jornalística mas a produzida nas academias? É o Poder que foi corrompendo os governos, foi se infiltrando nos negócios, foi controlando as ações, de início econômicas, mas rapidamente as políticas, sociais e culturais, tornando-se, a partir de 1990, a ditadura planetária: o sistema financeiro internacional, a banca.

O que acompanha esta ditadura é a desmoralização, a desconstrução de todas as críticas e ideias que lhe sejam opostas. Ainda recentemente assisti um vídeo de 1995, onde o doutor Enéas Carneiro nominalmente denunciava o “sistema financeiro internacional” como responsável pela alienação do patrimônio brasileiro e antevia o esgarçamento social que seu empoderamento traria para o Brasil. Ora o médico Enéas Carneiro era dado como extravagante, populista ou como um nazifascista, para que suas denúncias, em momento algum, fossem levadas a sério. E digo com a tranquilidade de quem não se filiava entre seus seguidores.

A banca se assenhoriou da mídia, mas, e principalmente, do controle das informações. Ela é, utilizando os recursos dos países onde domina os governos, a mais poderosa fonte de espionagem, de informação e contrainformação do mundo contemporâneo. E, como aponta com precisão Viviane Forrester (Uma Estranha Ditadura, UNESP, 2001) é uma forma de totalitarismo, envolta numa moldura democrática, onde a produção é substituída pela especulação e, sobre a farsa de fatalidades econômicas, as crises vão açambarcando os ganhos de todos os agentes econômicos e os concentrando no sistema financeiro.

Ora, meu caro leitor, quem em sã consciência apoiaria um modelo que elimina o trabalho, prioriza o lucro, independentemente de sua legalidade ou legitimidade, adota salários ínfimos e ao fim provoca guerras controladas e mortes? E sob a fantasia liberal e democrática?

Vê-se pois que é indispensável o controle social da comunicação de massa. A mídia concentrada em poucas mãos, para sua maior efetividade, para a otimização de custos e garantia de ganhos, e, como óbvio, para a manutenção pela mentira, pelo embuste, pela hipocrisia daqueles governantes que lhe são favoráveis e seus colaboradores, é inaceitável na democracia.

O jornalista Armando Rodrigues Coelho Neto aponta que “o pensamento único da sociedade brasileira parece imposto de forma coronelesca pelas famílias Abravanel (SBT), Barbalho (RBA), Dallevo e Carvalho (Rede TV), Civita (Abril), Frias (Folha), Levy (Gazeta), Macedo (Record), Marinho (Globo), Mesquita (O Estado de S.Paulo), Queiroz (SVM), Saad (Band), Sarney (TV Mirante?) e Sirotsky (RBS)”. E acrescento que estas 14 famílias não distribuem igualmente a propagação dos engodos. A família Marinho deve representar perto de dois terços ou três quartos do alcance das divulgações. A concentração e a banca estão sempre juntas.

Ainda o citado jornalista agrega que “técnica e legalmente, a concessão para a exploração TV é de 15 anos (rádios dez) renováveis por igual prazo, desde que cumpram exigências. Entre elas privilegiar educação, cultura nacional e regional, não formar monopólio ou oligopólio de propriedade, contemplando ainda aspectos de cunho moral, financeiro e fiscal.” Parece até uma provocação aos brasileiros de boa fé e capazes de avaliar a atrocidade que se comete contra o País. Continua Coelho Neto: “Renovações de outorgas de concessões de TV e rádios continuam um mistério”, não conhecêssemos o Poder da banca.

Agora, o governo golpista além de derramar milhões de reais do dinheiro público nesta mídia oligárquica, noticia a taxação da comunicação concorrente (Netflix, youtube) e a censura na internet.

Este concubinato da mídia com o governo golpista resulta na ignorância popular sobre o desastre que já ocorre no Brasil e em tempos ainda piores que teremos que enfrentar.

* Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado 

NOS  EUA                                          

O dispositivo Clinton para desacreditar Donald Trump
 
Thierry Meyssan *
 
Este artigo é uma advertência : em Novembro de 2016, um vasto sistema de agitação e de propaganda foi montado para destruir a reputação e a autoridade do Presidente Donald Trump desde o momento em que chegasse à Casa Branca. É a primeira vez que uma tal campanha é cientificamente organizada contra um presidente dos Estados Unidos e com tais meios. Sim, nós entramos numa era de pósverdade, mas os papeis dos protagonistas não são os que vocês pensam.
 
 
Rede Voltaire | 1 de Março de 2017 
 
David Brock é considerado como um dos mestres da agit-prop (agitação & propaganda) do século 21. Personalidade sem escrúpulos, tanto pode defender uma causa como destruí-la, segundo as necessidades do seu empregador. Ele está à cabeça de um império da manipulação de massas.
 
A campanha conduzida pelos padrinhos de Barack Obama, de Hillary Clinton e da destruição do Médio-Oriente Alargado, contra o novo Presidente norte-americano prossegue. Após a marcha das mulheres de 22 de Janeiro, uma marcha pela ciência deverá ter lugar não apenas nos Estados Unidos, mas também no conjunto do mundo Ocidental, a 22 de Abril. Trata-se de mostrar que Donald Trump não é somente misógino, mas, também obscurantista.
 
Que ele seja o antigo organizador do concurso Miss Universo e que seja casado com uma modelo em terceiras núpcias prova que ele despreza as mulheres. Que o Presidente conteste o papel de Barack Obama na criação da Chicago Climate Exchange-Bolsa Climática de Chicago (muito antes da sua presidência), e rejeite a ideia segundo a qual as perturbações climáticas são causadas pela liberação de carbono na atmosfera, atestam que ele não sabe nada de ciência.
 
Para convencer a opinião pública norte-americana da insanidade do Presidente, o qual disse desejar a paz com os seus inimigos e colaborar com eles para a prosperidade econômica internacional, um dos maiores especialistas da agit-prop (agitação e propaganda), David Brock, colocou em ação um impressionante dispositivo, antes mesmo da investidura.
 
Na altura em que ele trabalhava por conta dos Republicanos, Brock lançou contra o Presidente Bill Clinton aquilo que viria a ser o Troopergate, o caso Whitewater e o caso Lewinsky. Tendo virado a casaca, ele está agora ao serviço de Hillary Clinton, para a qual já organizou tanto a demolição da candidatura de Mitt Romney como a defesa dela no caso do assassinato do embaixador dos E.U. em Bengazi (morto pela Al-Caida na Líbia- ndT). Durante as últimas primárias, foi ele que dirigiu os ataques contra Bernie Sanders. A The National Review qualificou Brock «de assassino de direita tornado assassino de esquerda».
 
Importa lembrar que os dois procedimentos de destituição («impeachment»-ndT) de um presidente em exercício, lançadas após a Segunda Guerra Mundial, foram a favor do Estado Profundo (sistema de inteligência estadunidense e seus financiadores NdT) e não, de modo nenhum, da Democracia. Assim, o Watergate foi totalmente dirigido por um certo «garganta funda», que se revelou 33 anos mais tarde ser Mark Felt, o adjunto de J. Edgar Hoover, o Diretor do FBI. Quanto ao caso Lewinsky, não foi senão um meio para forçar Bill Clinton a aceitar a guerra contra a Iugoslávia.
 
A campanha atual é organizada nos bastidores por quatro associações:
  • Media Matters («Os Média são Importantes») está encarregada de desencantar os erros de Donald Trump. Vocês irão ler, diariamente, o boletim deles nos jornais : o Presidente não é confiável, ele enganou-se em tal e tal assunto;

  • American Bridge 21st Century («A Ponte Americana do Século 21») reuniu mais de 2. 000 horas de vídeo mostrando Donald Trump durante vários anos e mais de 18. 000 outras horas de vídeo sobre membros do seu gabinete. Ela dispõe de meios tecnológicos sofisticados concebidos para o Departamento de Defesa –-e, em princípio, não existentes no mercado –-permitindo-lhe pesquisar contradições entre as suas declarações precedentes e as suas posições atuais. Ela deverá estender os seus trabalhos a 1.200 colaboradores do novo Presidente;

  • Citizens for Responsibility and Ethics in Washington — CREW («Cidadãos pela Responsabilidade e Ética em Washington») é um gabinete de juristas de alto nível que devem rastrear tudo o que poderia causar escândalo à Administração Trump. A maior parte dos advogados desta associação trabalham gratuitamente pela causa. Foram eles que prepararam a queixa de Bob Ferguson, o Procurador-Geral do Estado de Washington, contra o decreto sobre a imigração;

  • Shareblue («A Partilha Azul») é um exército eletrônico que envolve já 162 milhões de internautas nos Estado Unidos. Está encarregado de propagar temas fixados de antemão, entre os quais:

  • • Trump é autoritário e ladrão;.

  • • Trump está sob a influência de Vladimir Putin;.

  • • Trump tem uma personalidade instável e colérica, é um maníaco-depressivo;

  • • Trump não foi eleito pela maioria dos Norte-americanos, ele é pois ilegítimo;

  • • O seu Vice-presidente, Mike Pence, é um fascista;

  • • Trump é um bilionário que não parará de ter conflitos de interesse entre os seus negócios pessoais e os de Estado;

  • • Trump é uma marioneta dos irmãos Koch, os celebres financeiros da extrema-direita;

  • • Trump é um supremacista branco que ameaça as minorias;

  • • A oposição anti-Trump não cessa de crescer para lá de Washington;

  • • Para salvar a democracia, apoiemos os parlamentares democratas que atacam Trump, arrasemos aqueles que cooperam com ele;

  • • Há que fazer a mesma coisa com os jornalistas;

  • • Derrubar Trump vai exigir tempo, não abrandemos o combate.

Esta associação produzirá newsletters e vídeos de 30 segundos. Ela irá apoiar-se em dois outros grupos : uma empresa de documentários de vídeo, The American Independent (O Americano Independente), e uma unidade de estatísticas Benchmark Politics (Política Comparativa).

O conjunto deste dispositivo —montado durante o período de transição, quer dizer, antes da chegada de Donald Trump à Casa Branca— emprega já mais de 300 especialistas, aos quais se devem juntar inúmeros voluntários. O seu orçamento anual, inicialmente previsto em 35 milhões, foi aumentado para atingir cerca de US $ 100 milhões de dólares.

Destruir assim a imagem —e portanto a autoridade— do Presidente dos Estados Unidos, antes que ele tenha tempo de fazer seja o que for, pode ter consequências muito graves. Ao eliminar Saddam Hussein e Muammar Kaddafi, a CIA mergulhou os respectivos países num longo caos, e o «país da Liberdade», ele próprio, poderia ser gravemente atingido por uma tal operação. Jamais, este tipo de técnicas de manipulação de massas tinha sido usado contra o chefe de fila do campo ocidental.

De momento, este plano funciona: nenhum líder político a nível mundial ousou congratular-se pela eleição de Donald Trump, à exceção de Vladimir Putin e Mahmoud Ahmadinejad.

*Thierry Meyssan, escritor e jornalista francês

Tradução Alva (Portugal)

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