O modo de fazer política no Paraná

Faltou falar da política paranaense. Com bom humor, também, diria que o grande diferencial daqui seja a prática useira e vezeira do tal “acordo branco”, onde eu finjo que não te apoio, que sou teu adversário, inimigo até, mas estou com você até a morte. É o que se prega agora, com Osmar Dias se candidatando à reeleição para o Senado, numa candidatura “independente”, com o PSDB deixando aberta uma de suas vagas e dando a outra a um candidato “meia boca” (Ricardo Barros).

Somos um grande estado, dos maiores produtores agrícolas do país, já podemos dizer que temos um centro automotivo, uma região metropolitana industrializada em volta de Curitiba, com mais 3 ou 4 cidades de médio porte no interior e 390 municípios pequenos.

Ainda assim, perdemos de goleada no quesito política para estados pequenos como Alagoas, que recentemente teve simultaneamente os presidentes na Câmara e Senado (Aldo Rebelo e Renan Calheiros), presidente da República (Collor), etc, isso para ficar apenas nos que me lembro agora.

O Paraná tem um candidato a vice-presidente (infelizmente na hora e lugar errados) levamos bordoadas de todos os lados (não sem uma certa dose de razão). O certo é que somos provincianos ao extremo, deixamos a dependência administrativa de São Paulo mas parece que sobra uma outra dependência, tão ou mais perniciosa: a afetiva.

Temos uma identidade estadual fragmentada, talvez aí resida nossso complexo de vira-latas tão bem externado por nossos políticos.

Nossos partidos têm apenas um código genético. São todos do mesmo grupão, e como se não bastasse, sem produzir novas lideranças, estamos elegendo segundas e terceiras gerações dos mesmos políticos. Quase todos são filhos, netos e bisnetos dos políticos do passado. Richa, Lupion, Brandão, Fruet, Requião/Arruda, Barros, Belinatti, Ratinho, Gleisi/Bernardo, a genética aqui quando não está escrita no DNA se agrega por laços matrimoniais.

E assim caminhamos céleres para a mesmice, onde um candidato a governador aventa a hipótese de retirar a candidatura pq seu irmão vai se candidatar a vice-presidente.

Se não vencer o filho de José Richa, vence o irmão do Álvaro Dias. E ainda tem gente que diz que estamos numa República. Não tem cara e jeito de monarquia? 

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