O tiro no pé da indicação de Meirelles para a Fazenda

As esperanças suscitadas por Henrique Meirelles na Fazenda são similares às de um doente de câncer buscando apoio médico em pai de santo.

Joaquim Levy tem inúmeros defeitos. É duro de cintura, extremamente ortodoxo. Mas tem uma virtude: é homem público, manteve a vocação de funcionário público responsável e jamais ousaria aventuras.

Meirelles é um bon vivant  que, em seu tempo de Banco Central, limitou-se a endossar a apreciação irresponsável do câmbio.

Lembro-me de um evento na Fenaban (a federação que reúne bancos médios) com Levy, então Secretário do Tesouro, e Meirelles, presidente do BC. Levy esmerou-se em um discurso preparado, recheado de dados e de raciocínios. Meirelles limitou-se a frases de efeito, superficiais como foi sua carreira no Bank Boston.

Na época de sua indicação para o BC, Veja soltou uma de suas reportagens mais obtusas. Nela dizia que Meirelles atingiu o mais alto posto que qualquer executivo estrangeiro conquistou nos EUA; que era tão relevante que, antes, seu nome precisou ser aprovado por autoridades internacionais. Afinal, era o Global Presidente do 7o banco em tamanho nos EUA.

Global President era o título dado ao diretor da área internacional, que respondia por apenas 8% dos ativos do banco e resumia-se a Brasil e Argentina.

Na grande crise de 2008, o BC foi uma peça morta. Enquanto Planejamento e bancos públicos mapeavam os pontos de escassez de liquidez, o BC de Meirelles vinha com o diagnóstico de que a economia estava robusta, o que justificava alta de juros.

Levy é um técnico cabeçudo, porém de boas intenções. Puxar seu tapete para abrir espaço para Meirelles será (mais) um tiro no pé.

 

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