Os modos brasileiros de fazer política

Por Hari Seldon

Parabéns pelo post! Boa análise irônica, que os críticos não entendem por que padecem de um mal comun em São Paulo, se levam muito à sério. A única observação que faço é que a caracterização é mais da política paulistana do que da política paulista. O estado de SP como um todo tem mais diversidade, mas a política é dominada pela elite paulistana que o post menciona.

Antes que os paulistanos entrem em crise, é bom lembrar que as “tradições” políticas de outros estados também têm seus defeitos e peculiaridades. Aliás, seria interessante analisar o jeito de fazer política nos outros estados, mas sempre com bom humor (um esforço para a elite paulistana).

O jeito gaúcho: tudo ou nada! Grenal no futebol e em tudo, o que acaba levando a uma radicalização constante nas eleições (PT x resto) e dentro dos próprios movimentos políticos (Olivio x Tarso). O gaúcho é apaixonado pelo debate, pela polêmica. A política vira uma briga fraticida que acaba prejudicando o próprio estado. Em todo e qualquer debate, se é possível polemizar (Simon, Paim, Tarso, …) para que conciliar? O estado pode afundar, mas o gaúcho se satisfaz por ter mantido seus princípios.

O jeito mineiro: reunião se combina antes! A política é regida pelos caciques, que são muitos devido às dimensões do estado. O conselho de líderes decide quem será candidato, procurando controlar, ou pelo menos limitar, as consequências do voto popular. A tradição de escolha pelas lideranças é tão forte que até o que deveria ser novo, o PT, entrou nessa política do conchave pelo conchave, vide aliança Pimentel-Aécio. No final um estado grande fica pequeno. Suas questões regionais não têm repercussão nacional como tem, por exemplo, o que acontece no RJ , na BA e e em outros estados. Como bom conchavistas, as lideranças políticas valorizam MG ao máximo, criando a figura mítica do perspicaz político mineiro. Na verdade desde Tancredo isso não existe mais. O que há é um colégio de líderes regionais de visão curta e uma tentativa de fabricar um mito (Aécio).

O jeito carioca: malandro demais é otário! A política é regida pelo populismo, seja de centro-esquerda (Brizola, Garotinho, etc), seja de direita (Lacerda, Cézar Maia, etc). Política onde todo mundo tenta ser malandro, com uma mídia e uma elite que faz os paulistanos parecerem coroinhas. A dinâmica é de uma cidade-estado (a região metropolitana do Rio tem 75% dos votos), uma cidade partida entre morro e asfalto. Nos últimos 20 anos o surgimento de lideranças evangélicas embaralhou a política mais do que em qualquer outro estado. Hoje todos os partidos têm o seu pastor. A tradição é de lideranças ambíguas, populistas, mas com um pé em cada canoa (Chagas Freitas + Militares, Brizola + Collor, Alencar + FHC, Cabral + Lula). Em tempo, existe uma elite branca, infelizmente sem olhos azuis, do circuito Gávea-Leblon-Barra (Eduardo Paes) que é tanto ou mais preconceituosa do que a paulistana, mas com uma vantagem: não se levam tão à sério. Também existe uma elite de funcionários públicos e similares (Petrobras, BNDES, etc) que só rivaliza em corporativismo com Brasília.

E seria interessante conhecer mais o jeito baiano, pernambucano, cearense, goiano, … sempre alguma pitada de bom humor! 

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