Pacheco convida embaixador chinês ao Senado e isola Bolsonaro

A articulação acontece após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que a China teria utilizado o vírus da covid-19 como parte de uma suposta "guerra química" para obter vantagens econômicas

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), durante a sessão de abertura da CPI da Covid-19. | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

do Congresso em Foco

por Marília Sena

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), convidou o embaixador da República da China no Brasil, Yang Wanming, para uma visita à Casa. No ofício, Pacheco não estipula data para o encontro. “Quando favoráveis estiverem as circunstâncias, de modo a adensar a parceria estratégica global entre nossos países”, diz o documento. 

“Diante da crescente conscientização das nossas vulnerabilidades individuais frente a urgentes desafios como combate à pobreza, a doenças e ao aquecimento global, precisamos de maior convergência entre nações e de uma configuração internacional voltada para maior cooperação”. Veja na íntegra: 


A articulação acontece após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que a China teria utilizado o vírus da covid-19 como parte de uma suposta “guerra química” para obter vantagens econômicas na última quarta-feira (4), em um evento no Palácio do Planalto.

A fala de Bolsonaro pode aumentar a crise diplomática entre os países e gerar perdas econômicas e sanitárias para o Brasil. A China é o principal parceiro comercial do Brasil. Além disso, o país asiático é o maior produtor de insumos para vacinas no mundo. A Coronavac, por exemplo, é o imunizante mais aplicado no Brasil contra a covid-19 e produzido no Instituto Butantan em São Paulo, em parceria com um laboratório chinês, Sinovac.

Ministros x Yang Wanming

O  ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, das Relações Exteriores, Carlos França, e da Economia, Paulo Guedes, participaram de um encontro com o embaixador da China por videoconferência na tarde de hoje. Os diretores do Instituto Butantan, Dimas Covas, e da Fundação Oswaldo Cruz, Nísia Trindade, também participaram.

Durante a CPI da Covid ontem (6), Queiroga disse que vai continuar trabalhando  “para manter as boas relações que o Brasil tem com a China”, junto com o chanceler brasileiro.

Em nota, o ministério da Saúde informou que o chefe da pasta ” reiterou o compromisso do governo brasileiro em estreitar a cooperação Brasil-China no enfrentamento à pandemia de COVID-19.”

De acordo com a pasta, o embaixador chinês disse que o seu país está disposto a continuar colaborando com o Brasil para enfrentar a covid-19. Yang Wanming também enfatizou que os laboratórios chineses vão honrar os contratos de venda de vacina com mais de 100 países.

Frente Parlamentar Brasil-China 

O líder da Frente Parlamentar  Brasil-China, deputado Fausto Pinato (PP-SP) criticou a fala do presidente. Na quarta-feira (5), ele divulgou uma nota levantando a possibilidade de Bolsonaro ter “doença mental”. “Penso que estamos diante de um caso em que recomenda-se a interdição civil para tratamento médico”, disse.

No comunicado, Pinato ressalta que não compactua com as alegações do presidente. “Não compactuaremos com afirmações desrespeitosas e irresponsáveis contra a China, que tem sido grande parceira do Brasil na luta contra a pandemia da covid-19”.

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