Para Santos Cruz, acordo entre Bolsonaro e Centrão não é sólido

Em entrevista, ex-ministro do governo diz que aliança terá vida curta se não ocorrerem mudanças no governo e no comportamento do presidente

Jornal GGN – A aliança firmada entre o presidente Jair Bolsonaro e os partidos que formam o Centrão terá vida curta no Congresso Nacional caso não ocorram mudanças no governo e no próprio comportamento do presidente, segundo análise do general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz. A entrevista foi concedida à Folha.

“Um alinhamento maior entre o Executivo e o Legislativo obviamente traz vantagens e pode viabilizar algumas coisas, mas vamos ter que esperar para ver. Falta pouco mais de um ano e dez meses para o governo acabar. Se a motivação principal é a reeleição do presidente, o pessoal vai ter que pensar mais no Brasil”, diz o ex-ministro da Secretaria de governo, e demitido após sofrer críticas de Olavo de Carvalho e dos filhos de Bolsonaro.

Para Santos Cruz, Bolsonaro pode ter conseguido uma proteção temporária contra o impeachment, mas não se sabe até onde isso vai. “Se o objetivo é esse, pode ser que tenha conseguido alguma proteção, temporariamente. Esse tipo de aliança, quando depende de um fluxo de recursos desse porte, como se falou nesses dias, não sei até onde é confiável”, pontua o general da reserva. “Infelizmente, tem gente que daqui a pouco vai querer mais e mais e mais. O modelo não é baseado em fidelidade e harmonia de objetivos, mas no dinheiro. Então, não sei até onde vai essa garantia”.

Sobre o papel das Forças Armadas, Santos Cruz não acredita que a imagem junto à população será afetada, mesmo com a atuação do general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde. “(Pazuello) não exerce função militar. Pegou o bonde andando, assumindo uma estrutura que já vinha funcionando mal. A administração da pandemia é falha desde o início, porque o governo não assumiu a liderança do processo”.

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