Região Norte é o caso mais preocupante de Covid-19 no Brasil, comprova estudo

Pesquisa comprova que a Região Norte tem o cenário epidemiológico mais preocupante do Brasil. E que só a cidade de São Paulo teve mais casos do que o anunciado em todo o país

A cidade de Breves, no Pará, , a proporção da população que tem ou já teve coronavírus foi estimada em 24,8%

Jornal GGN – “A Região Norte tem o cenário epidemiológico mais preocupante do Brasil”. A declaração é do coordenador geral do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Hallal, ao analisar os primeiros resultados da pesquisa massiva realizada de Covid-19 no Brasil e constatar que há cidades do norte do país que superam 10%, chegando até um quarto, da população contagiada.

Ao todo, foram feitos 25.025 testes e entrevistas de coronavírus em 133 cidades espalhadas em todos os estados brasileiros. Nas 90 cidades mais populosas, foi detectado um índice de 1,4% de contágio, de pessoas em que foram constatados os anticorpos para o combate ao novo coronavírus, significando que estão contagiadas ou já foram infectadas pelo Covid-19.

A pesquisa, que mostrou um grande índice de subnotificação no Brasil, de pelo menos 7 vezes maior do que as autoridades anunciam de casos confirmados [confira aqui], também expôs a disparidade regional do contágio, sendo da região Norte o cenário mais drástico.

Isso porque os pesquisadores identificaram que entre as 15 cidades com maiores prevalências de Covid-19 positivo, 11 são desta região. Não há uma região do Brasil com números tão extremos quando o Norte. Nas outras pontas, estão duas cidades na região Nordeste (Fortaleza e Recife) e duas da região sudeste (São Paulo e Rio de Janeiro).

No topo dessa lista, foi a cidade paraense de Breves a que constatou o maior número de contagiados por coronavírus, chegando a 25 mil dos 103 habitantes, ou seja, 24,8% -ou um quarto- da população local que tem ou já teve coronavírus. O segundo resultado mais alto foi detectado no município de Tefé, no Amazonas, com 12 mil dos 60 mil habitantes testando positivo. Isso representa 19,6% da população dessa cidade.

Ainda estão no ranking de maior porcentagem de infectados as cidades de Belém, Castanhal, Marabá, no Pará; as cidades de Manaus e Parintins, do Amazonas; Macapá e Oiapoque, do Amapá; Rio Branco, no Acre, e Boa Vista, em Roraima.

Nas 27 capitais do Brasil, o estudo conseguiu chegar a 21 delas, ficando no topo dos contágios Belém e Manaus, ambas com mais de 10% de contagiados detectados.

“Essas diferenças entre as cidades demonstram que existem várias epidemias num único país. Enquanto algumas cidades apresentam resultados altos, comparáveis aos de Nova Iorque (Estados Unidos) e da Espanha, outras apresentam resultados baixos, comparáveis a outros países da América Latina, por exemplo”, informou Hallal, no relatório.

O pesquisador tratou dos resultados desta pesquisa e sobre a disparidade na região Norte do país, nesta terça (09), em seminário virtual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência do Pará (SBPC/PARÁ). Acompanhe:

Apesar de não ser a região com mais contágio comparado ao número de habitantes, o Sudeste registra duas cidades entre as mais populosas do Brasil e com índices também muito superiores ao restante do país. O Rio de Janeiro, com 6,7 milhões de habitantes, constatou-se 2,2% de contagiados, com uma estimativa de 147 mil casos na cidade. E São Paulo, com 12,2 milhões de pessoas alcançou um índice de 3,1% de casos detectados nos testes.

Isso significa que somente a cidade de São Paulo teria 380 mil pessoas que têm ou tiveram coronavírus. O número é superior aos casos anunciados em todo o Brasil até o dia 21 de maio, data de realização do estudo.

Leia também: Subnotificação do coronavírus é 7 vezes maior do que números oficiais, mostra estudo

 

 

 

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