Ricardo Nunes, o novo prefeito de São Paulo

Boas relações ajudaram vereador a obter vaga, mesmo após denúncias envolvendo ligações com a chamada máfia da creche

Ricardo Nunes (MDB) assume prefeitura de São Paulo após falecimento de Bruno Covas. Foto: Reprodução

Jornal GGN – A morte do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), alçou o vice-prefeito, Ricardo Nunes (MDB) ao cargo de gestor da maior cidade do país.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Nunes afirma que seu mandato será uma “Continuação da gestão Bruno Covas. Não terá diferença. Temos o nosso plano de metas, o que o Bruno e eu falamos na campanha, vamos continuar as mesmas coisas. Não haverá mudança em nada que o Bruno planejou e definiu. Dizem que vou trocar secretários. É fofocaiada. Será uma gestão Bruno Covas até 2024. Não existe qualquer outra possibilidade a não ser honrar a memória dele e homenagear o carinho que ele tem pela cidade”.

Nunes foi indicado para a composição de chapa por conta de arranjos políticos enquanto ocupava o cargo de vereador, onde conseguiu cultivar boas relações, após as recusas do apresentador José Luiz Datena e do deputado Celso Russomano (Republicanos).

Católico, Nunes foi eleito pela primeira vez em 2012, e integrava a bancada cristã da Câmara de Vereadores, além de ter a bênção de Milton Leite, apontado como um dos políticos mais influentes da capital paulista.

Embora a discrição tenha sido um dos fatores preponderantes para a sua escolha na composição de chapa com Covas, reportagem do jornal Folha de São Paulo de outubro de 2020 afirma que Nunes foi acusado pela esposa de violência doméstica, ameaça e injúria em 2011 – inclusive com boletim de ocorrência registrado na 6ª Delegacia da Mulher, em Santo Amaro (zona sul). Com a publicidade do caso, ambos vieram a público afirmar que o caso já foi superado.

Além disso, a Bancada Feminista do PSOL, candidatura coletiva para ocupar a Câmara Municipal de São Paulo, chegou a protocolar um pedido de investigação no Ministério Público Estadual contra Nunes. O político era acusado de manter “uma teia de conexões entre empresas, parentes e indicados políticos com cargos na gestão que envolvem creches contratadas pelo município”. Com isso, o grupo de Nunes lucraria com o aluguel dessas creches.

Entre as conexões da rede do político está a Associação Amiga da Criança e do Adolescente (Acria), que recebe mais de R$ 14 milhões por ano em repasses da prefeitura. Desse total, R$ 2,3 milhões vão para o pagamento de aluguéis.

Nunes também é acusado de executar modificações que retiraram menções à diversidade sexual no Plano Municipal de Educação em 2015.

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