Trabalho acadêmico acusa MPF de ter alimentado as redes virtuais da ultra-direita

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Não é novidade que a Lava Jato foi a precursora das milícias digitais, apropriadas posteriormente pelo bolsonarismo.

Explanei essa tese em vários artigos no GGN, como na “Pequena história ilustrada sobre o fim da Lava Jato”, de 20.07.2019.

Em um mapa mostrava didaticamente a estrutura do poder, os 3 poderes, mas um 4o poder, a opinião pública, cujo principal agente era a mídia. 

Em um determinado momento, a mídia começa a dar gás para a Lava Jato, difundido seus vazamentos diariamente. A Lava Jato se vale dessa visibilidade para arregimentar seguidores nas redes sociais, especialmente através do Twitter de Deltan Dallagnol e um grupo de procuradores deslumbrados com sua nova posição de influenciadores.

Os Twitters dos procuradores são utilizados pelos grupos bolsonaristas para impulsionar suas redes. Em determinado momento, esses grupos ganham vida própria e passam a ampliar seus seguidores sem a ajuda das milícias lavajatistas. Até que ocorre a cisão, com a ida de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça e sua posterior demissão. Já abalada com a Vazajato e com o enquadramento do Conselho Superior do Ministério Público, os procuradores influenciadores saem de cena e a tropa selvagem fica sob domínio total dos bolsonaristas.

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Agora, estudo “O uso político do Twitter pelo Ministério Público Federal no Brasil”, dos pesquisadores Rafael Rodrigues Vegas e Lucas Busani Xavier, da Fundação Getúlio Vargas confirmou a ligação umbilical entre as redes da Lava Jato e de Bolsonaro. 

O estudo foi apresentado no Congresso Mundial Virtual IAPSS de 2021: Democracia, Identidade e Poder

Segundo o estudo, “o Ministério Público Federal (MPF) fez uso político de sua conta no Twitter nos últimos anos —o que pode ter tido potencial para afetar a governabilidade no país e a democracia em momentos decisivos como o impeachment de Dilma Rousseff e as eleições de 2018”.

A pesquisa examinou 37.041 tuítes publicado por procuradores desde 2011. Através de dois softwares analisaram. Conteúdo das postagens e a interação, no tempo, com outros usuários.

Segundo as conclusões do trabalho:

“As descobertas revelaram que o conteúdo era predominantemente autônomo referenciado e focado na corrupção, e a variação na densidade de atividade coincidiu em momentos específicos com acontecimentos políticos que culminaram na crise em curso no Brasil. Em consonância com isso, a rede virou por estar fortemente ligado aos partidários do impeachment de Dilma Rousseff em 2016 e da eleição de Jair Bolsonaro em 2018, vinculado à extrema direita ideológica. Assim, fomos capazes de encontrar evidências substantivas que o MPF mobilizou sua conta no Twitter política e estrategicamente em dois domínios, inextricavelmente vinculados e em uma espécie de simbiose: político-político e político-corporativista. Ao fazer isso, operou mais da época em desafio à responsabilidade democrática”.

Constata o trabalho que, desde 2011, a mídia social desempenhou papel proeminente como ferramenta de mobilização da sociedade civil contra a gestão de Dilma e do PT.

Prossegue o trabalho:

“(…) A rede de interação (do MPF) acabou por ser conectada a políticas de extrema direita partidos e grupos organizados da sociedade civil, principalmente os de oposição a Dilma Governo de Dilma. Assim, reunimos evidências substantivas de que a rede social foi estrategicamente usado para alimentar esta rede, provavelmente influenciando a opinião pública contra o governo em momentos específicos. Portanto, não apenas o MPF se engajou em uma espécie de comunicação no Twitter que na maioria das vezes não implicava responsabilidade, mas também alavancou sua conta do Twitter política e estrategicamente e, ao fazer isso, operou em dois domínios inextricáveis e simbióticos: político-político e político-corporativista”.

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