Venezuela: Guaidó não tem Forças Armadas, mas alguns dissidentes que serão punidos, diz governo

"O momento é agora", disse Guaidó em vídeo gravado perto de La Carlota, a principal base aérea militar de Caracas. Governo Maduro afirma que pequeno grupo de militares "traidores" está sob controle e será punido

Jornal GGN – O sol ainda não havia aparecido em Caracas, nesta terça (30), quando Juan Guaidó publicou um vídeo nas redes sociais afirmando ter, enfim, apoio das Forças Armadas para depor Nicolas Maduro. O opositor político, autoproclamado presidente com apoio dos Estados Unidos desde janeiro passado, convocou a população para ir às ruas. Guaidó, segundo autoridades venezuelanas que resistem, obteve, na verdade, apoio de um “pequeno grupo” de dissidentes militares. Na versão de ministros, esses “golpistas” estão sendo controlados e serão punidos.

Jorge Rodríguez, ministro do Poder Popular para a Comunicação e Informação, afirmou no Twitter que “estamos enfrentando e desativando um pequeno grupo de militares da ativa, traidores que se posicionaram em Distribuidor Altamira [um dos pontos conhecidos pela concentração de oposicionistas do governo, nos últimos anos] para promover um golpe de Estado contra a Constituição e a República.”

“A esta tentativa de golpe”, continuou, “somou-se a ultradireita golpista e assassina, que anuncia sua agenda violenta há meses.”

O governista convocou o povo para ir ao Palácio de Miraflores mostrar apoio a Maduro.

Jorge Arreaza, ministro das Relações Exteriores, também usou o Twitter para anunciar à comunidade internacional que dissidentes militares tentaram um golpe de Estado.

Em fevereiro passado, pela primeira vez, um militar da ativa – general de divisão Francisco Estebán Yánez, diretor de Planificação Estratégica do Alto Comando Militar da Aviação – recusou-se a reconhecer a legitimidade da eleição de Maduro, em 2018.

Guaidó, desde então, vem reforçando a agenda de viagens internacionais, na esperança de que, com pressão externa, Maduro venha a renunciar.

“O momento é agora”, disse Guaidó em vídeo gravado perto de La Carlota, a principal base aérea militar de Caracas. “Vamos conseguir liberdade e democracia para a Venezuela.”

“Hoje soldados que são valentes vieram até aqui porque nosso primeiro de maio começou hoje. Estamos chamando as Forças Armadas para acabar com a usurpação”, disse Guaidó, ao lado de Leopoldo López, que foi condenado em 2017 e deveria estar em prisão domiciliar, por ter liderado movimentos subversivos em 2014.

O ministro da Defesa de Venezuela reiterou, em manifestações na imprensa, a unidade das Forças Armadas.

A Telesur fez o acompanhamento dos fatos em tempo real e veiculou apoio de trabalhadores a Maduro:

 

Guaidó se autoproclamou presidente em 23 de janeiro. “Maduro chama Guaidó de uma marionete apoiada pelos EUA que quer derrubá-lo em um golpe. O governo prendeu seu principal assessor, tirou Guaidó de sua imunidade parlamentar e abriu várias investigações. Ele também o impediu de deixar o país, uma proibição que Guaidó violou abertamente no início deste ano”, lembrou o The Guardian.

 

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