Volta de Lula é “lampejo em um céu político carregado”, diz Le Monde

"Virada em um ciclo judicial de sete anos que viu o líder histórico da esquerda brasileira repetidamente condenado por corrupção e obrigado a passar quinhentos e oitenta dias na prisão"

Jornal GGN – “O anúncio marca uma virada em um ciclo judicial de sete anos que viu o líder histórico da esquerda brasileira repetidamente condenado por corrupção e obrigado a passar quinhentos e oitenta dias na prisão, entre abril de 2018 e novembro de 2019”, escreveu o jornal francês Le Monde Diplomatique, sobre a anulação das condenações do ex-presidente Lula, nesta segunda (08).

“Com seus direitos políticos restaurados, ele pode agora se candidatar às eleições presidenciais de 2022 contra Jair Bolsonaro”, completou, assim como os jornais do mundo inteiro. Lembrando que há um caminho pela frente, o Le Monde fez a ressalva: “No entanto, o ex-presidente não foi exonerado, nem inocentado.”

Leia a reportagem completa:

No Brasil, Lula recupera seus direitos políticos e a esquerda sonha com a vitória contra o Bolsonaro em 2022

Do Le Monde

Partidários de Lula protestam contra Jair Bolsonaro no dia 8 de março em Brasília.
Partidários de Lula protestam contra Jair Bolsonaro no dia 8 de março em Brasília. UESLEI MARCELINO / REUTERS

Um lampejo em um céu político carregado. Assim foi acolhida no Brasil, segunda-feira, 8 de março, a decisão de um juiz do Supremo Tribunal Federal (STF), anulando todas as condenações em juízo que pesavam sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com seus direitos políticos restaurados, ele pode agora se candidatar às eleições presidenciais de 2022 contra Jair Bolsonaro.

O anúncio marca uma virada em um ciclo judicial de sete anos que viu o líder histórico da esquerda brasileira repetidamente condenado por corrupção e obrigado a passar quinhentos e oitenta dias na prisão, entre abril de 2018 e novembro de 2019. A decisão do juiz do STF “é o reconhecimento de que sempre acertamos nessa longa batalha judicial”, exultou Lula nas redes sociais.

O anúncio foi imediatamente saudado com entusiasmo por uma esquerda confrontada pela vitória de Bolsonaro em 2018, humilhada pelos reveses de Lula e pela derrubada em 2016 da ex-presidente Dilma Rousseff. “É um dia muito importante para as pessoas e para a democracia. Sem dúvida, a história do Brasil mudará muito em breve!“, disse o senador Humberto Costa, do Partido dos Trabalhadores (PT), fundado por Lula.

Apoio fora do Brasil

O ex-metalúrgico também contou com torcida fora do Brasil. Na segunda-feira, ele recebeu os parabéns da esquerda latino-americana, desde o chefe de Estado argentino Alberto Fernandez aos ex-presidentes bolivianos Evo Morales ou uruguaio José Mujica. “Tão feliz! Justiça feita por Lula”, também escreveu no Twitter a prefeita de Paris, Anne Hidalgo.

Em detalhes, o juiz Edson Fachin anulou quatro condenações relacionadas a supostos subornos imobiliários e doações supostamente fraudulentas, pagas por construtoras, descobertas como parte da famosa operação anticorrupção Lava Jato. Em todos esses casos, Lula foi condenado em primeira ou segunda instância a penas de até doze anos de prisão.

No entanto, o ex-presidente não foi exonerado, nem inocentado. A decisão do ministro do STF é de natureza técnica e judicial: Edson Fachin considerou de fato que o tribunal de Curitiba (sul), que havia condenado Lula nos quatro julgamentos, “não era competente” à época do feito para julgá-los casos, que deveriam ter acabado nas mãos de juízes da capital, Brasília.

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