WikiLeaks: as críticas de Temer a Lula

Wikileaks: Para Temer, programas de Lula não promoviam desenvolvimento

Por Bruno de Pierro
Da Agência Dinheiro Vivo

Durante um encontro com o cônsul-geral dos Estados Unidos Christopher McMullen, em 9 de janeiro de 2006, o atual vice-presidente da república, Michel Temer, lançou críticas a programas sociais de Lula. Em telegrama, McMullen conta que o então presidente do PMDB não sabia, ainda, se o partido lançaria um candidato próprio para as eleições em outubro, ou se apoiaria o PSDB ou o PT.

“Se os números de Lula não melhorarem nas pesquisas, antes das primárias do PMDB em março, Temer disse que seu partido deverá nomear seu próprio candidato”, escreveu o representante dos EUA. Sabe-se, contudo, que o PMDB apoiou Lula no segundo turno. Mas, à época, conforme enfatizou Temer na conversa, o partido poderia forjar uma aliança com o PT ou com o PSDB, assumindo que o candidato do PMDB falhou na tentativa de ir para o segundo turno.

Ao longo do encontro, Temer ainda se mostrou desapontado com Lula. Fez críticas à “visão estreita” do então presidente e sobre o excessivo foco sobre as redes de programas sociais, “que não promovem desenvolvimento nem crescimento econômico”. Temer também disse que alguns líderes do PT haviam roubado dinheiro público, não para ganho pessoal, mas para expandir o poder do partido, o que fomentava uma grande desilusão na população.

De acordo com o relato de McMullen, Temer via aí a grandes oportunidades para o PMDB ganhar espaço. O partido de Temer detinha, na época, nove Estados e era o segundo maior número de deputados federais, depois do PT. “Pesquisas mostram que os eleitores estão cansados do PT e também do principal opositor, o PSDB”, escreveu McMullen, completando que uma recente pesquisa apontava Orestes Quércia como líder na disputa pelo governo de São Paulo.

Perguntado por que o PMDB permanecia tão dividido, Temer disse que as razões tinham fatores históricos e relacionados à natureza política dos partidos brasileiros. “O PMDB não possui uma real e unificada identidade nacional, mas sim uma organização regional de ‘caciques'”, observou McMullen.  

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