Após “cobrança” de Bolsonaro, Pfizer responde que desistiu de oferecer vacina emergencial ao Brasil

A fabricante norte-americana afirmou que não irá solicitar o registro para uso emergencial no Brasil porque encontrou muitos obstáculos da Anvisa

Foto: Arquivo ABr

Jornal GGN – Após Bolsonaro cobrar das farmacêuticas a responsabilidade por “vender” suas vacinas e apresentar os pedidos de registros dos imunizantes à Anvisa, a Pfizer deixou bem claro que não precisa da compra do Brasil. A fabricante norte-americana afirmou que não irá solicitar o registro para uso emergencial no Brasil porque encontrou muitos obstáculos da Anvisa.

Em nota divulgada nesta segunda (28), a Pfizer explicou que teve uma reunião, no dia 14 de dezembro, com representantes da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária do país, para entender como funcionava o processo de uso emergencial da vacina.

Decidiu nãi se submeter ao processo, porque encontrou muitos obstáculos criados pela Anvisa para a vacinação contra Covid-19 emergencial no Brasil. Trata-se do Guia de Submissão para Uso Emergencial, que como já amplamente noticiado, traz diversas barreiras e compromissos para os laboratórios e fabricantes de vacinas.

Assim, a BNT162, desenvolvida pela Pfizer em parceria com a BioNTech do Brasil, pode não ser usada nessa primeira fase emergencial no país. A medida ocorre paralelamente a outros 47 países que já aplicam as primeiras doses de vacinação contra o coronavírus, incluindo os EUA e outras dezenas com o próprio imunizante da Pfizer, deixando o Brasil para trás.

Para o presidente do país, Jair Bolsonaro, contudo, o interesse não seria do Brasil, mas deveria ser mostrado pelas farmacêuticas, como “vendedoras” das vacinas. Foi o que afirmou o mandatário nesta segunda (28).

“Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para gente? Por que eles, então, não apresentam documentação na Anvisa? Pessoal diz que eu tenho que ir atrás. Não, não. Quem quer vender, se eu sou vendedor, eu quero apresentar”, havia dito.

Além dos Estados Unidos, a farmacêutica norte-americana já aplicou suas doses no Reino Unido, o primeiro país a iniciar o plano de imunização, no dia 8 de dezembro, no Canadá, México, Chile e Costa Rica. A Argentina também começará a imunizar com a vacina da Pfizer nesta terça (29).

De acordo com a farmacêutica, a agência reguladora do Brasil exigiu “uma análise dos dados levantados exclusivamente na população brasileira, o que demanda tempo e avaliações estatísticas específicas”. “Outras agências regulatórias que possuem o processo de uso emergencial analisam os dados dos estudos em sua totalidade, sem pedir um recorte para avaliação de populações específicas”, criticou.

“A submissão de uso emergencial também pede detalhes do quantitativo de doses e cronograma que será utilizado no país, pontos que só poderão ser definidos na celebração do contrato definitivo”, lembrou a farmacêutica. O cronograma com as datas é uma responsabilidade do Ministério da Saúde com o Plano Nacional de Imunização, e não foi divulgado pelo próprio governo.

“A Pfizer já submeteu à Anvisa, pelo processo de submissão contínua, nossos resultados estudos Fase 3, o que significa mais um passo rumo à aprovação de nossa vacina”, detalhou, em nota. Assim, a vacina estaria disponível para o Brasil somente na categoria definitiva, e não emergencial, como todos os demais países já estão aplicando.

 

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5 comentários

  1. Sabendo da porcaria que deu a reunião da Anvisa, parece que o Bolsonaro mudou o discurso para não parecer que o empecilho é interno e de sua responsabilidade.
    Aí, pode dizer “foi a Pfizer quem não quis, a culpa não é minha.”

  2. Ora gente, na primeira vez em que o Bozo pratica um ato de altruísmo vocês criticam? Claro, se os brasileiros mergulham no esgoto e nada parece lhes acontecer (pelo contrário, querem mais), nada mais lógico que aceitar o último lugar na fila, cedendo a vez para todos os outros que não têm as mesmas dádivas do povo brasileiro. Por que essa ansiedade, essa angústia? Vocês não têm fé?! Ainda temos as vacinas de Madureira, taokey?

  3. Trata-se de ação deliberada para boicotar a aquisição e aplicação do imunizante em caráter emergencial, como já escrevi aqui, quando o mercador da morte fez uma série de exigências que país nehum está fazendo.

    Não é a ta que há um general na ANVISA e outro no MS, a ação do genocida tem amplo respaldo das FFAA, que seu alto comando seja denunciado às cortes internacionais junto om o genocida.

  4. O neoliberalismo à moda brasileira se caracteriza pelo extermínio de contingentes populacionais considerados indesejados (idosos, índios, quilombolas, sem terras, gays, petistas, etc…). Reduzir o número de vítimas da pandemia pode prejudicar a economia, foi o que disse uma autoridade do Banco Central nomeada por Bolsonaro. Desde o início do ano ficou claro que objetivo do tirano vagabundo é a transformação da pandemia numa arma de destruição em massa para MATAR brasileiros. Ele dificultou o trabalho de dois ministros da saúde que eram médicos e nomeou um general para comandar o morticínio. O sucesso da operação governamental contra a vacinação é apenas mais um capítulo na explosão de mortes desejada por Paulo Guedes. MORRA QUEM MORRER… o governo Bolsonaro não fará nada para salvar ninguém. O desespero dos juízes para ser vacinados é um indicativo do terror que eles estão sentindo ao perceber que também serão vítimas colaterais do programa de extermínio.

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