A saúde no capitalismo financeirizado em crise: o financiamento do SUS em disputa, por Áquilas Mendes

do CEE-Fiocruz

A saúde no capitalismo financeirizado em crise: o financiamento do SUS em disputa

por Áquilas Mendes

Estamos assistindo à adoção de políticas austeras por parte do Estado, com diminuição dos direitos sociais, presentes no contexto dos países capitalistas centrais e no Brasil, especialmente na área da saúde, intensificando mecanismos de mercantilização / privatzação no seu interior.

Reconhecemos que os conflitos sobre a saúde não são recentes e referem-se a um determinado tempo histórico. Desde 1980, nos tempos contemporâneos de dominância do capital portador de juros no movimento do capitalismo, marcados por uma nova razão do mundo – a grande virada neoliberal –, nas palavras de Dardot e Laval (2016), não foi possível identificar a retirada do Estado da economia, mas ao contrário, vimos assistindo a uma particular forma de sua presença, completamente associada à dinâmica do capital. De acordo com esses autores:

E o mais importante na virada neoliberal não foi tanto a “retirada do Estado”, mas a modificação de suas modalidades de intervenção em nome da “racionalização” e da “modernização” das empresas e da administração pública (DARDOT e LAVAL, 2016, p.231).
 

Nestes tempos de supremacia do capital financeiro, o Estado brasileiro não parou de conceder incentivo à iniciativa privada, impondo riscos à saúde universal. Constatam-se vários aspectos que vêm enfraquecendo a capacidade de arrecadação do Estado brasileiro e prejudicando, por exemplo, o financiamento do SUS (MENDES, 2016). Destacamos: as crescentes transferências dos recursos públicos às Organizações Sociais de Saúde (OSSs) – de gestão privada –, por meio da implementação da Lei de Responsabilidade Fiscal (em vigor há 17 anos) que limita o aumento do gasto com pessoal, favorecendo o incremento das despesas com serviços de terceiros; o aumento das renúncias fiscais decorrentes da dedução dos gastos com planos de saúde e símiles no imposto de renda e das concessões fiscais às entidades privadas sem fins lucrativos (hospitais) e à indústria químico-farmacêuticas; a permissão à entrada do capital estrangeiro na saúde por meio da aprovação da Lei 13.097/2015; a instituição da EC 86/2015 que reduz o financiamento do SUS; e a aprovação da EC 95/2016 que congela o gasto público por 20 anos aniquilando a saúde, na medida em que não limita os juros e outras despesas financeiras. 

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 Leia também, na série Futuros do Brasil – Ideias para ação            

 Élida Graziane Pinto | Estado de Coisas Inconstitucional na política pública de saúde brasileira 

 Ligia Bahia | O SUS e o Setor Privado Assistencial: adaptações e contradições

 

 

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