Brasil pode chegar a 3.000 mortes por dia; Nicolelis sugere intervenção no Ministério da Saúde

Cientista propõe ação para intervir judicialmente na Pasta e criação de Comissão que fiscalizará a logística da Saúde durante a crise

Jornal GGN – O Brasil registrou cerca de 1,9 mortes em 24 horas por causa do novo coronavírus na noite de quarta-feira (3). Sem lockdown em todo o País, e diante das novas cepas que são mais infecciosas, a tendência é esse número chegar a 3.000 mortes por dia. Não adiantará ampliar o número de leitos hospitalares, porque não haverá profissionais de saúde para atender a demanda. Com esse contingente de mortes, no intervalo de 90 dias, o Brasil poderá dobrar o número atual de vítimas fatais da pandemia e chegar a mais de 500.000 óbitos. “Isso já é um genocídio, só que ninguém ainda usou a palavra”, diz o cientista Miguel Nicolelis, em entrevista ao El País desta quinta (4).

Para Nicolelis, há uma saída para a crise atual: intervenção no Ministério da Saúde. “É preciso decretar lockdown de pelo menos 21 dias e pagar um auxílio financeiro para que as pessoas fiquem em casa. Os governadores sabem que o Governo Federal não vai fazer nada, estão querendo empurrar a responsabilidade. Estou sugerindo desde de novembro de criar uma Comissão Nacional com a sociedade civil, governadores e Supremo, que precisa decretar uma tutela judicial no Ministério da Saúde. Uma intervenção. E essa Comissão Nacional ficaria responsável por tomar decisões e supervisionar toda a logística”, sugeriu.

NOVOS LEITOS NÃO RESOLVEM

Ainda de acordo com Nicolelis, o lockdown é a única saída para o contexto atual da pandemia. Criar novos leitos é apenas mascarar o problema, pois já não há profissionais suficientes para dar conta do colapso que virá pela frente.

“Não tem mais médico, não tem mais enfermeiro. Todo mundo sabe, e os políticos sabem também, que a velocidade de crescimento do vírus é exponencialmente mais veloz que a capacidade de criar, equipar e por gente no leito de UTI. Não tem como combater isso criando mais vagas nos hospitais. É a típica estratégia de maquiagem. Aumenta os leitos, mas os leitos às vezes nem funcionais estão, mas vão para a conta e diminui a taxa de ocupação”, disse.

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