Brasil tem mais de 17 mil casos de coronavírus, calcula estudo britânico

Segundo o CMMID, se hoje o Brasil informa ter 1.960 casos de coronavírus confirmados, na realidade são entre 10,3 a 28 mil contagiados com sintomas no país

Foto: Reprodução redes

Jornal GGN – O Brasil tem mais de 17 mil casos do novo coronavírus. Isso porque, segundo estimativa do Centro para Modelagem Matemática de Doenças Infecciosas (CMMID) da London School of Tropical Medicina, do Reino Unido, é um dos países com maior defasagem nas notificações dos contagiados.

O Centro é um dos mais avançados no desenvolvimento de pesquisas para entender a propagação do novo coronavírus no mundo, gerando pandemia de Covid-19. O estudo publicado nesta segunda-feira (23) decidiu prever o “nível de sub-notificação” do coronavírus. O GGN analisou os dados e calculou quantos casos significam.

A amostra levou em conta todos os países que relataram ter dez ou mais mortes. Neste cálculo, o Brasil atingiu uma média de que somente 11% dos casos no novo coronavírus foram diagnosticados. E mais: o estudo não considera nesta porcentagem os assintomáticos, ou seja, aqueles infectados com Covid-19 que não apresentam os sintomas [entenda mais aqui].

Na lista divulgada pelo CMMID, os números atuais divulgados pelos órgãos oficiais do Brasil representam entre 7% a um máximo de 19% da realidade. Assim, se hoje as autoridades brasileiras informam ter 1.960 casos de coronavírus confirmados, na realidade são entre 10,3 a 28 mil contagiados no país.

Detalhes do estudo podem ser conferidos abaixo. E a pesquisa completa pode ser acessada aqui.

Usando uma taxa de fatalidade de casos ajustados por atraso para estimar a sub-notificação

Status: em andamento | Publicação online: 22-03-2020 | Última atualização: 23-03-2020
Alvo

Estimar a porcentagem de casos sintomáticos de COVID-19 relatados em diferentes países, usando estimativas da taxa de mortalidade de casos com base em dados do ECDC, corrigindo os atrasos entre a confirmação e a morte.

Resumo dos Métodos
  • Em tempo real, dividir os óbitos até o momento pelos casos até o momento leva a uma estimativa tendenciosa da taxa de mortalidade de casos (CFR), porque esse cálculo não leva em conta atrasos na confirmação de um caso até a morte e notificação de casos.
  • Usando a distribuição do atraso da hospitalização até a morte para casos fatais, podemos estimar quantos casos até o momento devem ter resultados conhecidos (por exemplo, morte ou recuperação) e, portanto, ajustar as estimativas ingênuas da CFR para levar em conta esses atrasos.
  • O CFR ajustado não leva em consideração o sub-relatório. No entanto, as melhores estimativas disponíveis de CFR (ajuste ou controle de subnotificação) estão na faixa de 1% a 1,5%. Assumimos uma CFR de base, obtida de um grande estudo na China, de 1,38% (95% crI: 1,23-1,53%) [1] . Se um país tiver uma CFR ajustada mais alta (por exemplo, 20%), isso sugere que apenas uma fração dos casos foi relatada (neste caso, 1,38206,9 %1,3820=6,9% casos relatados aproximadamente).

Estimativas atuais para a porcentagem de casos sintomáticos notificados em países com mais de dez mortes

Figura 1: Plotando as estimativas para a proporção de casos sintomáticos relatados em diferentes países usando estimativas de cCFR. O sombreamento azul é a faixa de confiança de 2,5% a 97,5%. Observe que há um atraso médio de 13 dias entre a confirmação e a morte, portanto, essas estimativas refletem a porcentagem de casos relatados há cerca de duas semanas.

 

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1 comentário

  1. Nestes tempos de exposição massiva de egos e imediatização das futilidades, está ficando difícil esconder e possivelmente haverão “cobranças” mais adiante sobre papéis da tal elite na crise sanitária no Brasil. Em que pese deixar leviandades de lado, seria exagero culpá-los por ter criado ou simplesmente terem papel ativo nas infeções iniciais no país. Estão levantando alguns que dos primeiros casos expostos (pelos próprios indivíduos, já que seus “negócios” dependiam da exposição) através de redes sociais de influencers e personalidades, logo após a realização da semana da moda de Milão/Itália, região foco da pandemia na Europa. Acontecida em meados de fevereiro, logo depois surgiram algumas influencers notificando seu estado de saúde em suas redes sociais. Concomitante, houve o casamento acontecido em um resort baiano, onde logo em seguida um dos convidados anunciou aos seus conhecidos para se testarem, já que ele testara positivo, após uma passagem por um tour na neve, em Aspen/EUA.
    Em seguida foram pipocando casos:
    – dois coligados à XP investimentos, que vieram de viagem ao exterior
    – a comitiva presidencial que já passam das dezenas de casos relacionados
    dentre outas histórias que vão aparecendo, até porque estamos em época de alta exposição (até o isolamento social é exposto agora). Vários pequenos dramas vão surgindo. Matéria da revista época, mostra a partir da morte de uma personalitê, uma senhora de 71 anos que há poucos dias deu festa de noivado para cerca de 70 convidados, muitos deles com idade mais avançada e agora contam os casos: com convidados vindos de viagens recentes ao exterior e a própria falecida, após a festa esteve no Uruguai onde experimentava sintomas da covid-19 e então foram vendo a situação ter complicações. Como as festas das elites certamente costumam ter muitos serventes e serviçais, os pobrezinhos já podem ter carregado o vírus para suas famílias e comunidades. Dependendo do temor que fique após a passagem da epidemia e a depender do tamanho do estrago, muitos vão passar a solicitar referências sobre viagens recentes e passaportes aos seus contratantes.

    https://epoca.globo.com/sociedade/coronavirus-se-alastra-entre-convidados-de-noivado-na-alta-sociedade-carioca-24324313

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