Carne brasileira é forte, defende ex-servidor do MAPA

Jornal GGN – Esclarecimento de um ex-servidor do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) que ajudou a estruturar no Sistema de Inspeção Federal (SIF), a respeito da Operação Carne Fraca da Polícia Federal: 
 
 
Enio Marques defende Sistema de Inspeção Federal e alerta à necessidade de Ministério assumir forte posicionamento na comunicação: 
 
Caros, o centenário SIF e os seus servidores são vítimas.  A seguríssima carne brasileira é vítima. Entendam que não são a carne e o SIF os acusados. Os acusados são os gestores do Mapa no Paraná que, segundo a Justiça Federal, usaram as suas investiduras para promover extorsões, criar dificuldades, vender facilidades, perseguir servidores. 
 
Por Enio Marques 
 
Caros amigos, a carne é forte!!!!
 
A repercussão internacional parece, de fato, ter potencial de dano as imagens do SIF e das carnes. 
 
Alguns governos, com base no que está sendo divulgado, poderão ceder à pressão de produtores, da imprensa, de parlamentares e de consumidores. Sei muito bem o que é isso!!!
 
Na sexta feira (17) pensei que os riscos às exportações e ao consumo de carnes fossem insignificantes. Mas a maciça divulgação e as matérias jornalísticas nas grandes mídias levaram muitos a acreditar que as carnes têm problemas. Um boi puxa uma boiada…
 
Lamentavelmente, a comunicação da prisão de acusados de corrupção deu a entender a população que carne é risco à saúde pública.
 
Por ter atuado tantos anos na construção dessa sólida base internacional de credibilidade do SIF e da defesa, por ter vivenciado várias crises, por talvez ser um dos poucos brasileiros, ainda vivo, que participou das rodada de negociações sanitárias e fitossanitárias internacionais, no maior número de acordos bilaterais realizados pelo Brasil, sinto-me credenciado e, por isso, na obrigação, de colaborar na busca da verdade.
 
Eu li e tenho em mãos a decisão judicial.
 
A decisão judicial mostra uma rede de extorsões que cuidava de interesses próprios. Ações localizadas em áreas específicas em algumas e poucas regionais do MAPA no Paraná e no Porto de Paranaguá. Essa rede consolidou-se ao longo de muitos anos. Nesse processo conseguiu proteção política relevante.
 
Foram muitas as denúncias e as sindicâncias internas no MAPA. O Mapa encaminhou para a PF e MPF alguns desses processos. Investigações da Polícia Federal ouviram pessoas, levantaram evidências e, mais recente, através um Fiscal do SIF, recebeu provas que permitiram a quebra dos sigilos dos já investigados.
 
Segundo os autos foram 2 anos de investigações.
 
São fatos passados que culminaram com uma fase das investigações que gerou essa operação, sem precedentes na história da PF.
 
Caros, o centenário SIF e os seus servidores são vítimas.  A seguríssima carne brasileira é vítima. Entendam que não são a carne e o SIF os acusados. Os acusados são os gestores do Mapa no Paraná que, segundo a Justiça Federal, usaram as suas investiduras para promover extorsões, criar dificuldades, vender facilidades, perseguir servidores. Eles estão nas mãos da Justiça Federal e terão direito à defesa para explicarem e responderem por seus atos.
 
Saibam que os outros funcionários da SFA (Superintendência Federal de Agricultura), em Goiás, foram pegos no grampo do Relações Institucional da BRF (amigo do ex-Superintendente da SFA PR). Também, não vi risco sanitário algum nos fatos relacionados a GO.
 
Repito, li e reli a decisão judicial. Não vi nada que indique risco sistêmico à saúde pública. Evidente que são inaceitáveis a corrupção, a fraude as licitações da merenda, a quebra do decoro, o enriquecimento ilícito, as aparentes ações da administração contra o exercício da fiscalização correta. Em relação a isso há que parabenizar a PF, o MPF e a Justiça.
 
Porém, não é adequado alardear, sem conhecimento de causa, fatos que aparentam quebra na sanidade de produtos.  Sobre risco à saúde cabe a autoridade competente falar!!
 
O que deu lide a imprensa foram o risco à saúde e a fraude à milhões de consumidores no Brasil e no mundo!!!
 
O Brasil poderá pagar um preço muito alto caso o Mapa não consiga explicar, tempestivamente, às autoridades sanitárias dos países clientes o que de fato ocorreu.
 
Os que lerem a decisão judicial (recomendo que o façam), também, verificarão que inexistem papelão em fórmula de produto, carne podre (a carne essa não era procedente de SIF), ácido cancerígeno (ácido ascórbico vitamina C).
 
Temos que nos preparar para ajudar o MAPA vencer essa crise. Impensável, neste momento, a omissão frente ao risco do efeito cascata nas várias cadeias das carnes pela lambança de uma comunicação descuidada.
 
Em qualquer lugar do mundo essa comunicação seria feita com a presença dos Ministros da Agricultura e da Saúde.  Também, em qualquer lugar seria apresentada Nota aos organismos internacionais e aos países clientes. Por fim, em qualquer lugar do mundo a inteligência seria acionada e a avaliação dos riscos realizada para comunicar os públicos interessados de forma correta e verdadeira.
 
Inacreditável tamanho descuido!! Certamente, em breve, esse episódio entrará na história mundial como “case” de comunicação social que balançou a credibilidade de um país !! Pena estar aposentado!!!

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