Cientistas transformam células de regeneração em células de músculo cardíaco

Jornal GGN – Cientistas do Instituto Gladstone, nos EUA (Estados Unidos), conseguiram converter as células que se formam em regiões de cicatrização em células do músculo cardíaco, abrindo caminhos para a recuperação de danos geralmente relacionados a ataques cardíacos. Quando o coração para de bater, as células musculares são danificadas a ponto de morrerem, deixando sequelas e tornando a batida cardíaca mais irregular, quando o paciente sobrevive ao ataque.

Os primeiros resultados da pesquisa começaram a surgir no ano passado. Oscientistas converteram as células cardíacas de formação de cicatrizes, constituídas por uma classe de células chamada de fibroblasto, em células cardíacas em ratos vivos. Testes satisfatórios com células humanas em laboratório revelaram indícios fortes de que os mesmos resultados podem ser obtidos em seres humanos. 

“Os fibroblastos compõem cerca de 50% de todas as células no coração e, portanto, representam um vasto conjunto de células que poderiam um dia ser aproveitadas e reprogramadas para criar novos músculos”, explica Deepak Srivastava, professor da Universidade da Califórnia, entidade da qual Gladstone é afiliado. “Nossos resultados servem como uma prova de que os fibroblastos humanos podem ser reprogramados com sucesso em células do coração”, diz.

Coquetel

Para fazer a transformação celular, os cientistas injetaram três genes, em conjunto conhecido como GMT, em cobaias cujos corações haviam sido danificados por ataques cardíacos. O mesmo resultado será obtido nas células humanas, segundo os cientistas. O uso da combinação do GMT, contudo, não foi suficiente para resultados satisfatórios, levando os pesquisadores a usar, também, três fontes de células cardíacas fetais, células estaminais embrionárias e células da pele neonatal.

“Quando injetamos GMT em cada um dos três tipos de fibroblastos humanos, não aconteceu nada. Assim, voltamos à prancheta para procurar genes adicionais que ajudam a iniciar a transformação”, afirmou Ji-dong Fu, um dos autores do estudo. “Estreitamos nossa busca para apenas 16 genes potenciais, que então combinamos ao GMT, na esperança de encontrar a combinação certa”.

Ao fim de vários testes, a equipe selecionou um coquetel de cinco genes, que foram suficientes para reprogramar os fibroblastos em células cardíacas semelhantes. Dois outros genes foram adicionados aos testes, tornando a transformação ainda mais completa. O próximo passo do estudo é refazer os testes em corações maiores, como o dos porcos. Uma vez aprimorado, o coquetel de genes poderia gerar novos medicamentos para a recuperação completa das sequelas de ataques cardíacos.

“Com mais de cinco milhões de sobreviventes de ataque cardíaco nos Estados Unidos, com corações abaixo da capacidade, os nossos resultados, juntamente com resultados publicados recentemente de nossos colegas, vêm em um momento crítico”, disse Srivastava. “Já estabelecemos uma base sólida para o desenvolvimento de uma forma de reverter os danos, algo que se pensava impossível, e mudando a maneira pela qual os médicos podem tratar ataques cardíacos no futuro”.

Com informações do Medical Xpress

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