Com cortes do governo, SUS deve perder R$ 35 bilhões em 2021

"Se aprovado, o Orçamento sufocará ainda mais o sistema de saúde, que não terá condições nem sequer de manter o legado da pandemia", disse CNS

Foto: INGRID ANNE/BBC

Jornal GGN – O governo de Jair Bolsonaro prevê um corte nos recursos da saúde no ano que vem, quando gastos com a pandemia ainda são esperados. Somente o SUS (Sistema Único de Saúde) deverá perder pelo menos R$ 35 bilhões em 2021.

A queda do Orçamento está estipulada no teto de gastos previstos para o ano que vem, estabelecido pela equipe econômica de Bolsonaro.

Para evitar a derrocada do setor, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) enviou uma proposta ao governo que garanta créditos extraordinários, em um tipo de “piso emergencial”, destinado principalmente ao financiamento do SUS (acesse aqui).

Segundo o especialista em orçamento da área da saúde do Senado, Bruno Moretti, além das demandas por vacinação e sanitárias previstas para o combate da pandemia e seus efeitos no ano que vem, o Orçamento previsto tal como está não suporta nem o atendimento do SUS.

“Em 2021, o teto de gastos exerce uma pressão tamanha pela despesa que a chance de estourar é muito forte. Fica muito evidente a necessidade do piso emergencial, com os recursos não sujeitos ao teto”, disse Moretti.

Para o consultor técnico do CNS, Francisco Funcia, a perda de R$ 35 bilhões dos recursos que são encaminhados diretamente para o SUS deve ser ainda maior, dependendo do desdobramento dos gastos ainda este ano. No total, a perda de recursos para a saúde pode chegar a R$ 22,5 bilhões desde que o teto entrou em vigor, em 2017.

“Se aprovado, o Orçamento (da forma como está a previsão), sufocará ainda mais o sistema de saúde, que não terá condições nem sequer de manter o legado da pandemia, como os leitos de UTI, ampliações em unidades de saúde e respiradores adquiridos”, afirmou Funcia.

 

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