Com ritmo atual, Brasil deve imunizar 70% da população no fim de 2022

Entre a promessa e a realidade, os graves erros cometidos pelo governo de Jair Bolsonaro na aquisição das vacinas comprometem hoje o país

Jornal GGN – Entre a promessa e a realidade, os graves erros cometidos pelo governo de Jair Bolsonaro na aquisição das vacinas comprometem hoje o país. Entre as expectativas – que muito provavelmente devem sofrer ainda mais alterações -, o Brasil chegará a 70% da imunização dos brasileiros somente no fim do ano que vem.

No ritmo a que estamos e com os acordos que temos fechado, os grupos prioritários serão vacinados até setembro deste ano, os adultos não prioritários a partir de outubro e os jovens com menos de 25 anos só serão vacinados em 2022, segundo cálculos da BBC Brasil. Não há estimativas de quando menores de idade seriam imunizados.

Publicamente, o governo afirma ter, agora, 154 milhões de doses para o primeiro semestre deste ano. Mas isso não significa que elas serão distribuídas no tempo correspondente. Ao contrário, a má logística do Ministério da Saúde tem conseguido chegar ao público somente a metade das doses disponíveis e com grandes escalas de atrasos.

O novo cronograma divulgado pela pasta é que, no papel, haveria mais de 500 milhões de doses de vacina contra a Covid-19. Na prática, seria suficiente para imunizar toda a população brasileira, o que não vem ocorrendo. A própria previsão de entrega das vacinas pelo governo de Jair Bolsonaro já mudou cinco vezes somente no mês de março.

Para vacinar a população inteira em até um ano, 2 milhões de pessoas por dia precisariam tomar o imunizante. Os números não são inalcançáveis: em 2009, para controlar a pandemia de H1N1, foram vacinadas mais de 1 milhão de pessoas por dia.

Mas o que vem ocorrendo este ano no governo Bolsonaro é menos da metade disso: em março, a taxa de vacinação variou de 22 mil a 500 mil doses por dia. O problema está efetivamente na logística. Enquanto se afirma haver mais de 500 milhões de doses, foram distribuídas menos de 10%: apenas 43 milhões para estados e municípios, e ainda aplicadas menos da metade, 21,1 milhões. Uma minoria conseguiu chegar à segunda dose, 4,7 milhões de pessoas até agora.

Ainda, de acordo com pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o patamar necessário para conter consideravelmente a disseminação da doença, ou seja, 70% da população imunizada, deve ser alcançado somente no fim do ano que vem, em 2022.

A expectativa versus realidade ocorre porque mais de 68 milhões de doses são de vacinas ainda não aprovadas pela Anvisa, restando somente a AstraZeneca-Oxford (Fiocruz) e Coronavac (Butantan) para ser distribuída. Com a negativa da oferta da Pfizer, o governo Bolsonaro conseguiu adquirir o imunizante apenas para o segundo semestre do ano.

Ainda, as produções nacionais, do Instituto Butantan e da Fiocruz, devem ser efetivadas para distribuição somente a partir do final deste ano e o primeiro semestre de 2022, nas expectativas mais otimistas dos próprios laboratórios.

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