Coronavírus avança em municípios com intensa atividade minerária. Veja balanço de MG

A negligência e irresponsabilidade com as quais o governo Bolsonaro trata a questão da pandemia do novo coronavírus põe a população brasileira em um cenário extremamente difícil

O Brasil é hoje o segundo país com maior número de pessoas infectadas no mundo e já possui mais de 45 mil mortes pela doença.  Em Minas Gerais, por exemplo, os dados são cada vez mais preocupantes. A doença está se alastrando pelo interior com maior intensidade: já são 575 municípios com casos confirmados da doença.

Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, o número de casos confirmados passa de 22 mil, as mortes pela Covid-19 já chegam a 502 e cinco das 14 macrorregiões do estado não possuem mais leitos clínicos e de UTIs disponíveis. A ocupação dos leitos hospitalares está cada vez maior, atingindo uma taxa de 72% dos leitos de UTIs no estado e chegando ao alerta vermelho na capital Belo Horizonte, com 82% dos leitos de UTIs ocupados.

Em todos os municípios de Minas Gerais que possuem atividades minerárias, em especial com grandes projetos, os casos confirmados e mortes por coronavírus têm, em sua maioria, relação direta com o ambiente de trabalho da mineração. Isso demonstra que a continuidade das atividades de mineração tem funcionado como vetor de propagação da doença, disseminando o vírus para os municípios circunvizinhos e contaminando trabalhadores, seus familiares e toda comunidade do entorno.

Os mapas elaborados pelo MAM e pesquisadores parceiros evidenciam a relação direta entre atividades de mineração e ampliação dos casos da Covid-19. A partir desses fatos, qualquer argumentação que tente sustentar que a mineração não é responsável pelo aumento de casos não passa de uma narrativa infundada das mineradoras que se empenham em continuar suas atividades, mantendo a remessa de lucros para seus acionistas independentes do número de mortes entre seus trabalhadores e moradores das cidades onde atuam.

AÇÃO DO MPT DIMINUI PROPAGAÇÃO DO VÍRUS

O primeiro mapa ilustra parte dos municípios que compõem o quadrilátero ferrífero. A cidade de Itabira, que registrou uma explosão de casos desde que a Vale iniciou as testagens entre os trabalhadores, teve uma diminuição significativa no aumento de casos desde que a Justiça do Trabalho determinou a paralisação das atividades da empresa após ação civil pública do Ministério Público do Trabalho (MPT). Entre dois a nove de junho houve um crescimento de 22% dos casos de Covid-19 no município. Porém, entre o dia nove e 16, o crescimento do número de casos diminuiu para 4%. Ou seja, a paralisação das atividades da Vale foi um elemento chave para a diminuição da propagação da Covid-19 em Itabira.

Fica muito nítido como os municípios com intensa atividade minerária possuem um número muito mais elevado de casos suspeitos, confirmados e até de mortes por coronavírus. As cidades circunvizinhas que não possuem grandes projetos de mineração estão com poucos ou nenhum caso da doença. Importante frisar que diferente do que as empresas têm propagandeado, muitos dos casos confirmados não são diagnosticados pelos testes realizados pelas mineradoras, mas por testagens feitas pelas prefeituras após familiares ou trabalhadores apresentarem sintomas da doença.

Os casos confirmados têm crescido de forma vertiginosa e reforça a preocupação para essa região minerada. A cidade de Itabirito, por exemplo, teve um crescimento de casos confirmados de 49% em uma semana; Catas Altas e Mariana tiveram uma ampliação de 25%; Ouro Preto, de 37% e, Barão de Cocais, em mais de 24%. Se o Estado não tomar medidas enérgicas, assim como realizadas em Itabira, teremos um cenário devastador de colapso do sistema de saúde e um número ainda maior de perda de vidas.

O PROJETO MINAS-RIO E A PROPAGAÇÃO DO CORONAVÍRUS

Já o segundo mapa demonstra como o Projeto Minas-Rio, da multinacional Anglo American, tem sido o vetor de propagação do coronavírus na região de Conceição do Mato Dentro e do Médio Espinhaço. A Anglo American, assim como as demais mineradoras, tem realizado uma propaganda intensa nesse período de pandemia, tudo isso em um esforço de tentar justificar a continuidade de suas atividades, mesmo sabendo que a manutenção das operações vai disseminar o vírus e matar muita gente, como já vem ocorrendo.

Os municípios de Conceição do Mato Dentro, Dom Joaquim, Alvorada de Minas e Serro, que estão na área diretamente impactada pelo projeto da Anglo American, já possuem casos da Covid-19 e um número muito elevado de casos suspeitos. A confirmação de duas mortes pela doença de pessoas que possuem vínculo ou tiveram contato com trabalhadores da mineradora com diagnóstico positivo reforça ainda mais a preocupação de toda população, que estão com medo e indignados com a postura da multinacional. A cidade de Conceição do Mato Dentro, por exemplo, já está com 480 casos suspeitos, 172 em investigação, 26 confirmados e uma morte por coronavírus. O primeiro caso do município foi confirmado em um trabalhador da mineradora e, grande parte dos demais casos, são vinculados aos trabalhadores da empresa e familiares.

Os mapas tem sido ferramentas importantes para facilitar a visualização de como a continuidade das atividades minerárias tem sido um fator de potencialização da propagação do coronavírus e que as medidas adotadas pelas mineradoras têm sido ineficazes para evitar o contágio entre os trabalhadores. Dessa forma, se o Estado brasileiro estiver preocupado em garantir a saúde do povo e evitar as mortes pela Covid-19, é necessário a suspensão imediata das operações da mineração neste momento de pandemia.

Importante ressaltar que a suspensão das atividades de mineração é uma das medidas necessárias para termos melhores condições para superar este difícil momento que estamos passando. Associado à paralisação das operações minerárias é fundamental que o Estado garanta condições concretas para o povo realizar a quarentena, como a manutenção de renda e ampliação de seus direitos. Nesse sentido, é essencial que os empregos sejam mantidos e os salários e benefícios sejam pagos de maneira integral para os trabalhadores diretos e terceirizados do setor mineral.

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1 comentário

  1. Mineração e matadouros se juntam às atividades onde a pandemia se alastra. Nióbio, balas, bois. Bolsonaro e sua trupe guediana, no primeiro passeio aos EUA, disseram a platéia: Venham, venham. O Brasil está com as portas e as pernas abertas. Nem visto vocês precisarão. Querem explorar? Estamos aqui para garantir a exploração, a destruição.
    Queimadas e pandemias vieram mas: E daí?

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