Ex-ministro Temporão defende flexibilização da autorização de novas vacinas, por Luis Nassif

O que fazer?, indaga ele. A sociedade tem que tomar o controle da questão. E estados e municípios estão prontos para colocar o PNI em prática, apesar de todos os problemas da União.

Em seu período de Ministro da Saúde, José Gomes Temporão comandou vacinação de 100 milhões de pessoas em 3 meses. Trata-se de uma competência nacional desenvolvida ao longo de décadas. Para livrar o Brasil do Covid-19 seriam necessárias 100 milhões de vacinações em 3 meses. E faltam vacinas.

A partir dessa constatação, Temporão julga que seria hora da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) rever seus critérios para autorização de vacinação emergencial.

Temporão  faz questão de salientar o trabalho extremamente profissional da Agência na avaliação das vacinas da Fiocruz e do Butantã, consolidando o primado da ciência sobre a superstição. Mas julga que é hora de flexibilizar a autorização. Desde que a vacina candidata tenha sido aprovado pelo FDA americano, ou pela agência correspondente europeia, deveria ser autorizada a atuar no Brasil.

Ele se refere especificamente ao caso da vacina russa Sputinik.

A razão é óbvia. A demanda internacional por insumos não vai permitir a vacinação da população brasileira ainda em 2021. A Fiocruz está trabalhando em uma nova unidade de insumos, para atender à revolução tecnológica do setor, mas só ganhará auto-suficiência no final do ano. E o Butantã tem uma demanda grande pra o fornecimento de vacinas contra a influenza. Daí a relevância da revisão do registro emergencial.

Temporão enxerga problemas graves nos três alicerces centrais do PNI (Plano Nacional de Imunização).

1. Coordenação federal. Necessidade da União assumir a liderança, fornecendo capacitação, apoio financeiro e técnicos a estados e municípios. Perdemos, diz ele.

2. O PNI sempre trabalhou de mãos dadas com a ciência para definição de critérios de vacinação, número de doses, estratégias. Para essas definições, recorria a cientistas, sociedades médicas, epidemiologistas. Hoje em dia, não apenas não recorre como trata os cientistas como inimigos.

3. O PNI sempre se sustentou em grandes campanhas de vacinação em massa, com o Zé Gotinha, com artistas, atletas, O governo abandonou qualquer campanha.

O que fazer?, indaga ele. A sociedade tem que tomar o controle da questão. E estados e municípios estão prontos para colocar o PNI em prática, apesar de todos os problemas da União.

O grande obstáculo é o número insuficiente de doses de vacina. Daí a importância de flexibilizar as autorizações emergenciais.

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