GGN Covid Brasil: o surpreendente desempenho de Minas Gerais

Seus memes são constrangedores. No último, ele aparece com uma cara apalermada, apontando o dedo para a esquerda, para a direita, depois se abaixando e fazendo um movimento como se tivesse dando uma dedada de proctologista em alguém.

Mas algumas coisas me surpreenderam nos últimos tempos.

Primeiro, a visita a duas cidades do sul de Minas, Poços de Caldas e Guaranésia. Poços é administrada por um prefeito sofrível. Mas a mobilização contra o Covid-19 foi bem feita, com uso de estatísticas, campanhas e multas a quem não seguisse as recomendações. Chegou-se à boa idéia de colocar máscaras até nas estátuas da cidade. O prefeito conseguiu mobilizar a população. Outra foi em Guaranésia.

Finalmente, Zema no Twitter se jactou de que Minas tinha o 2o menor índice de morbidade (relação entre óbitos/casos) do país e que ele há tempos tinha garantido seringas para os mineiros, enquanto seu colega João Dória Jr ainda planejava a aquisição.

Resolvi inaugurar esse Raio X dos Estados com Minas, conferindo o que está se passando em Minas.

Para minha surpresa, o comportamento do Estado tem sido muito bom.

É o 2o em total de casos no país, com 488.934 casos, 6,8% do total, perdendo apenas para São Paulo. Mas ambos têm a maior população.

Nos casos per capita é o 27o, com 2.643,01 casos por 100 mil habitantes, contra 2.643,01 da média nacional. Para efeito de comparação, São Paulo é o 21o, com 2.424,27 casos. O Distrito Federal, aquele estado no qual o governador se confraterniza com o Ministro da Saúde em festinhas caseiras, sem uso de máscara, é o 2o, com 7.085,14.

Nos óbitos per capita, igualmente, Minas é  o 27o com 42,74 por 100.000 habitantes (na tabela está 28o, porque incluímos na conta o dado geral do país). São Paulo ocupa apenas a 11o colocação, com 85,69 óbitos por 100.000 habitantes. Distrito Federal e Rio de Janeiro são os líderes, com escandalosos 122,54 e 119,53 por 50 mil.

É importante notar que todos os poderes influentes de Brasília têm seus próprios sistemas de atendimento hospitalar. As estatísticas recaem exclusivamente sobre os desassistidos. Não há maior exemplo do distanciamento das instituições em relação aos cidadãos.

Mesmo tendo um bom comportamento até agora, Minas Gerais tem mostrado uma expansão recente dos casos em relação à média nacional.

Ontem a média diária semanal de novos casos de Minas, mostrava uma relação de 9% em relação à média total. Minas tinha média diária semanal equivalente a 6,6% do total. Em relação a 7 dias atrás, a média mineira cresceu 11,1%, a 3a mais alta do país. Em relação a 14 dias, 25,9%, 9o mais alta. E em relação a 28 dias, 112,5%, a 5a mais alta. Também na média de óbitos, ela ocupa a 3a colocação, entre as altas dos últimos 7 dias.

Ah, quanto a taxa de morbidade, não é a menor do país, mas apenas a 11a, com 2,3% de óbitos em relação aos casos.

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3 comentários

    • Exato. A subnotificação de mortes por covid em minas no inicio era a maior de todas. Saia como sindrome respiratoria a.Nassif as vezes tem textos estranhos.
      Outro dia foi com uma entrevista que mais parecia mais rp da fiocruz.
      Fora a historia do consorcio de imprensa para apurar dados da covid separados no governo que ele e todos os veiculos simplesmente apagaram da historia.

  1. Nassif, sou mineiro e moro em Brasília. Posso dizer que os números em Minas foram obtidos com uma estratégia clara de subnotificação e baixíssima testagem. Isso fica ainda mais evidente com a comparação com o Distrito Federal. Apesar do mau exemplo recente do governador, a sua postura no início foi firme, sendo o primeiro a tomar medidas. E o DF tem as maiores taxas de testagem do país, o que acaba gerando números piores do que em outros estados. O erro em Brasília foi a flexibilização geral antes do fim da pandemia. Mas não se compara com a subnotificação crônica que está havendo em Minas.

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