Método de nanotecnologia detecta malária rapidamente através da pele

Jornal GGN – Pesquisadores da Universidade de Rice, nos Estados Unidos, desenvolveram uma tecnologia não invasiva que detecta com precisão, através da pele, baixos níveis de infecção de malária em apenas alguns segundos. A tecnologia, batizada de “vapor de nanobolhas”, utiliza um escâner a laser e não requer corantes ou substâncias de diagnóstico, assim como não há necessidade de retirar sangue do paciente avaliado.

Um estudo pré-clínico publicado nesta semana na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências, mostra que a nova tecnologia detecta até mesmo uma única célula infectada pela malária entre um milhão de células normais, com possibilidade nula de gerar falsos-positivos. O diagnóstico usa um laser de baixa potência que cria um minúsculo vapor de “nanobolhas” dentro das células infectadas.

As bolhas que estouram têm uma assinatura acústica única, que permite um diagnóstico extremamente sensível. “O nosso é o primeiro método através da pele que detecta rapidamente, e com precisão, a malária em poucos segundos, sem o uso de amostras de sangue ou de reagentes”, explica Dmitri Lapotko, cientista criador do método.

Além de ser rápido e não invasivo, o método de diagnóstico e triagem é de baixo custo porque utiliza um dispositivo portátil alimentado por uma bateria que pode ser operada facilmente por qualquer pessoa, sem necessidade de ajuda médica profissional. Um único dispositivo é capaz de avaliar até 200 mil pessoas por ano, com o custo do diagnóstico estimado em menos de US$ 0,50, segundo o cientista.

A malária é considerada uma das doenças mais mortais do mundo, afeta mais de 300 milhões de pessoas e mata outras 600 mil por ano – a maioria crianças. Apesar dos esforços globais, os parasitas da malária tornam-se, a cada ano, mais resistentes às drogas e aos procedimentos de triagens epidemiológica eficientes, resistindo até mesmo ao diagnóstico precoce que está presente nos países mais afetados pela doença.

Existem outros testes de diagnóstico rápidos e baratos, mas o que sobra de custo, falta em eficiência e confiabilidade. O teste mais confiável atualmente requer uma amostra de sangue do paciente, um técnico de laboratório treinado, reagentes químicos e microscópios de alta qualidade – itens muitas vezes indisponíveis em hospitais com poucos recursos e em clínicas nos países em desenvolvimento.

“A tecnologia de vapor de nanobolhas para detecção de malária é distinta de todas as abordagens de diagnóstico anteriores”, diz David Sullivan, clínico de malária e pesquisador do Instituto de Pesquisa de Malária da Universidade Johns Hopkins e coautor do estudo. “O método de detecção transdérmico de vapor de nanobolhas acrescenta uma nova dimensão para o diagnóstico da malária, e tem o potencial de apoio rápido, de alto rendimento e diagnóstico e triagem altamente sensível, feito por qualquer pessoa em campo”.

Com informações do MedicalXpress.com

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