Pacientes intubados por COVID são amarrados às camas

Jornal GGN – A medida que está sendo muito usada nas UTIs COVID é conhecida como contenção mecânica, que consiste na amarração dos dois braços dos pacientes à cama. Segundo especialistas, a prática é utilizada na intenção de amenizar os danos do momento em que o paciente está retomando a consciência. Apesar de não ser uma técnica recomendada pelos profissionais, três intensivistas ouvidos pela Folha de São Paulo afirmam que a contenção é usada há anos nas unidades.

A Folha teve acesso a imagens e vídeos de pacientes que foram submetidos a essa prática no Hospital de Campanha Zona Leste, conhecido como Cero, em Porto Velho. O diretor-geral do hospital, Richael Costa, confirmou a veracidade das imagens.

Segundo médicos da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), existem algumas razões que justificam o aumento do uso de contenção mecânica nas unidades. Dentre elas está a superlotação dos hospitais, a falta de profissionais de enfermagem para acompanhar o processo de “desmame” dos pacientes e a escassez de sedativos, medicamentos do KIt de intubação que estão em falta em todo território nacional  desde o início da pandemia.

Com a intenção de evitar que esses medicamentos se esgotem, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária flexibilizou as regras. Mesmo assim, muitos profissionais de saúde têm que recorrer a drogas de segunda ou terceira linha para sedar os pacientes.

O diretor-geral do Hospital de Campanha Zona Leste nega que a contenção seja feita por falta de medicamentos. “Os sedativos não acabaram. E temos bloqueadores. Temos todos os medicamentos na unidade”, afirmou. O diretor relata ainda que a técnica é utilizada apenas no “desmame”, que pode durar de dois a três dias e consiste no momento em que o paciente apresenta uma melhora no quadro clínico, podendo ser extubado.

Mesmo assim, Richael Costa reconhece que existe uma dificuldade na aquisição do Kit Intubação durante a pandemia. O diretor ainda afirma que “a contenção de pacientes só pode ocorrer com ordem médica”.

Em nota, a Secretaria de Saúde de Rondônia disse que não faltam sedativos no hospital de campanha.

Segundo especialistas, uma técnica alternativa para substituir a contenção, seria o uso de luvas para evitar com que os pacientes consigam arrancar os equipamentos, mas a superlotação dos hospitais, bem como a falta de recursos, dificulta a utilização dessa medida.

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