Pesquisadores da USP lançam o primeiro banco de dados genômico de idosos da América Latina

Análise do DNA de 1.171 idosos de São Paulo permitirá identificar mutações genéticas responsáveis por doenças ou que são determinantes para o envelhecimento saudável, avaliam autores do trabalho – Fotomontagem: Colin Behrens/Pixabay e Vormingplus/Flickr-CC

do Jornal da USP

Pesquisadores da USP lançam o primeiro banco de dados genômico de idosos da América Latina

Pesquisadores do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP e de outras instituições nacionais e internacionais concluíram o primeiro banco de dados genômico de idosos da América Latina. Os resultados do estudo, que começou em 2010, foram publicados na plataforma bioRxiv e ainda não foi revisado por outros cientistas.

 

Os pesquisadores sequenciaram o genoma de 1.171 brasileiros não aparentados, com média de idade de 72 anos, e identificaram 77 milhões de mutações genéticas, das quais 2 milhões delas estavam ausentes em bancos de dados internacionais.

Além disso, 2 mil elementos genéticos móveis (partes genômicas que conseguem se deslocar para outras partes do genoma humano) e mais de 140 alelos de genes de HLA (família gênica mais diversa, ligada ao aparecimento de doenças infecciosas e autoimunes) foram catalogados.

Os participantes são voluntários de um estudo longitudinal chamado SABE (Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento). O projeto existe desde 2000 e, no Brasil, é coordenado pela Faculdade de Saúde Pública. O objetivo é estudar as condições de vida e de saúde de moradores da cidade de São Paulo e de algumas cidades da América Latina e do Caribe.

Aplicações

A criação de um banco genômico brasileiro já era vista como uma necessidade pelos cientistas, pois a população do País, até então, não estava representada nos bancos de dados internacionais. O grupo focou em estudar idosos porque uma das metas era avaliar a incidência de doenças associadas ao envelhecimento, como mal de Parkinson, Alzheimer, hipertensão e câncer, por exemplo.

Michel Naslavsky – Foto: Reprodução via LinkedIn

As análises de ancestralidade mostraram alta incidência de europeus, africanos, ameríndios e imigrantes do leste europeu. “Provavelmente essas 2 milhões de mutações contam a história desses grupos parentais da população brasileira que não estavam catalogados”, explica ao Jornal da USP Michel Naslavsky, professor do Instituto de Biociências (IB) da USP e primeiro autor do estudo.

Os dados gerados pela pesquisa podem facilitar o diagnóstico de doenças e ajudar, no futuro, um melhor desenvolvimento da medicina de precisão. “Agora, o médico pode encontrar informações novas nessa base de dados e fazer uma interpretação muito mais precisa”, afirma Naslavsky.

O sequenciamento do genoma completo tornou-se a ferramenta padrão-ouro para se estudar genômica populacional. Com ele é possível identificar mutações raras em genes conhecidos e melhorar a identificação de novos genes, por exemplo.

Projetos futuros

Em uma primeira etapa, os cientistas sequenciaram o genoma de 600 indivíduos participantes do SABE. Os dados foram depositados em um repositório chamado ABraOM – Arquivo Brasileiro Online de Mutações, criado especialmente para esse fim. As informações desse estudo mais recente também foram incluídas no ABraOM e são de acesso público.

Naslavsky contou ao Jornal da USP que, agora, os cientistas querem finalizar o sequenciamento do genoma de mais 400 idosos do SABE. “A nossa ideia é acompanhar cônjuges e filhos”, diz. “Queremos entender o genoma de pessoas da mesma geração, que compartilham do mesmo ambiente, mas que possuem origem genéticas distintas”, finaliza.

Mais informações: e-mail mnaslavsky@gmail.com, com Michel Naslavsky.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora