Planalto teme debandada do Ministério da Saúde em meio à pandemia

Ministros agem para evitar que auxiliares de Luiz Henrique Mandetta acompanhem secretário de Vigilância em Saúde, enquanto se especula a saída do ministro

Wanderson de Oliveira pediu demissão do cargo de secretário nacional de Vigilância em Saúde nesta quarta-feira. Foto: Reprodução

Jornal GGN – A saída de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde é tida como certa nos bastidores do Palácio do Planalto, mas existe o temor de uma eventual debandada nos cargos de segundo escalão, o que poderia comprometer a pasta em meio à pandemia do coronavírus.

Segundo informações do jornal O Estado de São Paulo, ministros palacianos estão agindo para evitar que outros auxiliares de Mandetta sigam o caminho do secretário nacional de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, que pediu demissão na manhã desta quarta-feira, 15.

A preocupação quanto a um desmanche da pasta vem dos ministros militares, que trabalharam na pacificação das relações entre Bolsonaro e Mandetta na semana passada. Eles deram início a um mapeamento de quais integrantes não são ligados a Mandetta e poderiam seguir no governo caso a saída do ministro seja confirmada.

Fontes do Planalto dizem que Bolsonaro já começou a procurar por um substituto depois de considerar a entrevista do ministro ao Fantástico uma provocação. Na ocasião, Mandetta cobrou uma “fala única” do governo quanto às medidas adotadas para combater a pandemia. Um nome cotado é o do número 2 do ministério, o secretário-executivo João Gabbardo.

 

Leia Também
Quem são e o que pensam os cotados para substituir Mandetta
Divulgada carta de despedida da gestão Mandetta na Saúde

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

5 comentários

  1. Como um governo em situação de grave crise COMBO (econômica – sanitária – social – ambiental – política – humanitária – diplomática) a ter de se mover com suas gravíssimas crises internas (representatividade – divisão – ingovernabilidade – familiar/miliciana/dossiês – rumo) pode agregar positividade no meio do caos?
    Será que os senhores generais não estão a perceber que correm risco suas carreiras, saúde, futuro da família e filhos, pensões, passeios a cavalos, festas nos clubes militares, roupa lavada e engomada, auxílios A – B e C?
    Em situação pré crise foi preciso laçar o azarão xucro que tinham no pasto, o que pode ser feito ainda com um presidente irresponsável que é contra o país e seu povo?

    • Lúcio: como dizia Shopenhauer, “militar (de terra) só sabe falar de mulher e de cavalos. Assim mesmo mal”. Os de Pindorama não seriam exceção. Levaram 130 anos para por em prática a DemocraciaDaBaioneta. Não vão largar fácil esse osso, com muita carne e tutano. Quanto a essa de morrer parte que eles consideram mão-de-obra incômoda e/ou inútil, guerra é guerra, hão de dizer…

  2. Há uma solução pós crise para as forças armadas, dissolvê-las e criar uma força realmente comprometida com a segurança nacional e não com o golpismo.

    • Rogério: aí você acordou e percebeu que Alice não mais estava no País das Maravilhas? No começo da década de 60 passada, quando denunciamos um desses “acordos” safados com os donos do Quintal onde moramos, pelo qual os VerdeSauvas recebia miçangas e espelhinhos, pensei Guararapes renascendo, para dar lugar a um sonho de dignidade e independência, que finalmente teríamos um País soberano e pleno em sua política voltada ao seu Povo. Em seguida veio a quartelada de PrimeiroDeAbril, nos mergulhando numa espécie de IdadeMédia moderna, em anos de dor, “suor e lágrimas”, por décadas. Esse espírito de servilismo deve estar tão arraigado na tropa que não acredito no “comprometimento na construção nacional” com tais milicos.

  3. A mudança que está para acontecer no comando e na equipe do Ministério da Saúde, justo quando estamos chegando ao momento mais crítico, mais tenebroso e mais fatal da pandemia, ainda que tenhamos várias restrições contra o ministro Mandetta, representa não apenas a irresponsabilidade, a gravidade do absurdo pouco caso e o desleixo flagrante com a vulnerável exposição que a população será colocada, diante da imensa ameaça que se aproxima, que é a aproximação da fase de pico e a mais terrível da pandemia. Além de representar um crime hediondo, a ser praticado pelo governo contra uma população totalmente indefesa e confusa, que não sabe direito o que fazer e a quem seguir. De um lado tem a voz e o comportamento do presidente, de seus defensores e de seus seguidores e do outro lado são as orientações do ministério da saúde, que está baseada na voz da ciência e no meio desse fogo cruzado está a população correndo o risco das balas perdidas do coronavírus. Mas ainda, como não pode faltar na política, tem a imprensa que traz consigo a lenha que alimenta a fogueira e mantém o fogo ativo, sem se importar em estar acumulando e assumindo uma grande parcela de responsabilidade sobre todas as implicações trágicas que poderá acontecer, entre as tensas discordâncias públicas entre de Bolsonaro e Mandetta.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome