Jornal GGN – Para o ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, há “muita desinformação em torno da capacidade” de vacinar a população brasileira contra a Covid-19 e a logística de distribuição é “simples”.

Sendo um dos últimos países da América Latina a negociar a aquisição do imunizante com a Pfizer, sem hoje a segurança de que as 70 milhões de doses irão chegar, e abrindo a licitação para adquirir 330 milhões de seringas e agulhas somente hoje, 16 de dezembro, Pazuello questionou: “para que essa ansiedade, essa angústia?”.

“O Plano Nacional de Imunização (PNI) é um plano guarda-chuva. Corre muita desinformação em torno da capacidade que o Brasil tem de cumprir essa missão”, disse o ministro, durante o lançamento do Plano de Operacionalização da vacina.

A cerimônia não partiu por vontade própria da pasta. Foi uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), pelo ministro Ricardo Lewandowski, que nesta terça (16) exigiu do governo federal, em meio às incertezas e falta de datas, a “ampla publicidade” desse plano.

O QUE TRAZ O PLANO?

O documento de 109 páginas, com agradecimentos, contextualização, aspectos do coronavírus, etc, não traz ainda as datas, nem sequer previstas, para vacinar os brasileiros. Mas para Pazuello, o plano não pode ser segmentado entre os estados, deve ser centralizado na pasta de sua coordenação, defendendo que será “igualitária e proporcional”.

“Não haverá nenhuma diferenciação. Todas as vacinas produzidas no Brasil terão a prioridade SUS [Sistema Único de Saúde]. Todos os brasileiros receberão a vacina grátis”, disse, em referência à atuação de governos estaduais de fecharem planos paralelos da vacina, em meio aos avanços da CoronaVac.

A CoronaVac, aliás, aparece no documento que foi atualizado na última sexta-feira (11). E na contramão do que vem defendendo o governo, Pazuello e o próprio presidente Jair Bolsonaro, assim como a Anvisa, os detalhes do sucesso da vacina chinesa na fase 3 estão detalhados no documento.

CORONAVAC EFETIVA

“No Brasil, o estudo está sendo conduzido pelo Instituto Butantan, em 17 centros de pesquisas. Em 19-Out-2020, com 12.000 doses administradas, sendo a metade no grupo placebo, foram anunciados resultados preliminares com ausência de relato de reações adversas sérias à vacinação.”

Nos testes feitos durante a fase 2, o plano do Ministério da Saúde chega a afirmar que “a vacina candidata Coronavac foi bem tolerada e segura nas doses estudadas, com a maioria dos eventos adversos sendo leves, caracterizados principalmente por dor no local da aplicação” e que “de acordo com o governo Chinês a vacina está aprovada para uso limitado desde 07/2020 para grupos especiais: atividades de elevado risco, profissionais da saúde, inspetores portuários e pessoal de serviços públicos”.

E mais comprovações de sua efetividade: “Resultados de um estudo de fase II (Estudo PRO-nCOV-1002 conduzido na China) em 421 voluntários saudáveis de 60 a 89 anos, ainda não publicado, foram preliminarmente divulgados pela empresa desenvolvedora da vacina candidata, mostrando que após duas doses da vacina, com intervalo de 28 dias, 98% deles produziram anticorpos neutralizantes contra o vírus (média geométrica de 42,2), sem registros de eventos adversos sérios.”

LEIA AQUI O PLANO DE OPERACIONALIZAÇÃO DA VACINA

AUTORIZAÇÃO DA ANVISA

Mas Pazuello, durante sua apresentação, fez questão de defender a Anvisa, que até o momento não concedeu o registro à vacina chinesa, em parceria com o Instituto Butantan. “Tudo o que a Anvisa está fazendo tem critérios técnicos e de segurança para o povo brasileiro”.

“Nós não podemos brincar com a segurança da saúde brasileira”, continuou. Nesse sentido, não negou que se a CoronaVac for aprovada pela Anvisa será adquirida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que ficará responsável por distribuir as vacinas entre as regiões brasileiras.

“Todas as vacinas produzidas no Brasil, pelo Butantan, pela Fiocruz, serão compradas pelo SUS. Qualquer fumaça, qualquer discussão anterior, ficou na discussão”, disse.

No plano, a pasta especifica que “o planejamento da vacinação nacional é orientado em conformidade com o registro e licenciamento de vacinas, que no Brasil é de atribuição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”.

MUDANÇAS

Em relação ao anúncio anterior, o plano nacional de vacinação divulgado acrescenta novos grupos prioritários, que até a semana passada não estavam: comunidades tradicionais ribeirinhas; quilombolas; trabalhadores do transporte coletivo; pessoas em situação de rua e população privada de liberdade.

Ainda, foi mantida a exigência do “termo de responsabilidade” que deverá ser assinado por quem tomar a vacina de uso emergencial. A medida não está detalhada no documento e foi inserido, como atualização, no último parágrafo da introdução:

“Está previsto ainda na normativa a exigência de que os pacientes a serem vacinados com vacinas aprovadas para uso emergencial deverão preencher um termo de consentimento livre e esclarecido o qual deve estar complementado com os dados específicos da vacina objeto de autorização de uso emergencial.”

Sobre as datas, a única informação divulgada por Pazuello foi que a vacina seria enviada aos estados até cinco dias depois de o produto ser autorizado pela Anvisa e que prevê até 16 meses para vacinar toda a população brasileira. No arquivo, contudo, não há expectativas e a palavra mais repetida nesse sentido é “tempo oportuno”.

 

Abaixo, a íntegra do plano divulgado:

plano-vacinacao-versao-eletronica

 

 

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