SP tem primeira morte por falta de leito; Gabbardo chora ao falar de jovens em baladas

"Aglomerações não param de ocorrer. O que mais a gente pode fazer?", desabafou o médico

Jornal GGN – A capital de São Paulo registrou na manhã desta quinta (18) a primeira morte de um paciente com Covid-19 à espera de um leito de UTI. A informação foi confirmada pelo prefeito Bruno Covas em entrevista à GloboNews.

Covas não deu detalhes sobre o perfil da vítima, mas a CNN Brasil informou que se tratava de um jovem de 22 anos com obesidade. A vaga de UTI que ele precisava só foi liberada 20 minutos após o óbito.

Até esta quarta-feira (17), 395 pessoas aguardavam por um leito de UTI na cidade de São Paulo.

À CNN Brasil, o médico João Gabbardo, membro do Centro de Contingência do Coronavírus no Estado, se emocionou ao comentar a falta de conscientização da população mais jovem.

O Brasil vive seu pior momento da pandemia, com hospitais próximos do colapso total, mas frequentemente a imprensa mostra o flagrante de festas clandestinas que reúnem até centenas de pessoas.

“Eu não queria estar na pele de um jovem que vai numa festa e, depois, quando chega em casa, ele contamina seus familiares. E esses familiares vão para o hospital e depois vão morrer. Eu não queria estar na pele de alguém que tem coragem de fazer isso com seus familiares”, disse Gabbardo com voz embargada e olhos marejados.

“Não tem mais o que a gente possa fazer para que as pessoas recebam orientação. Vocês [imprensa] passam o dia inteiro falando isso para todo mundo. A gente [médicos e cientistas] passa o dia inteiro para todo mundo. Mesmo assim essas aglomerações não param de ocorrer. O que mais a gente pode fazer?”, desabafou.

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