Teich mostra ceticismo com projeções de mortes por coronavírus no Brasil

Ministro da Saúde assume crise do coronavírus inclinado a não utilizar projeções de pesquisadores, mesmo de institutos renomados, em suas decisões

O presidente Jair Bolsonaro e o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, durante pronunciamento no Palácio do Planalto

Jornal GGN – Antes de se tornar ministro da Saúde, no começo do mês, o oncologista Nelson Teich publicou um artigo criticando o uso de modelos matemáticos na tomada de decisões contra a pandemia de coronavírus.

Até o respeitado instituto Imperial College, que tem influenciado as políticas de enfrentamento à COVID-19 em diversos países, entrou na mira de Teich. Ele considerou, no texto, que a estimativa de mortes para o Brasil está “exagerada”, não importa se o cenário é de maior ou menor grau de supressão.

“Não podemos assumir que vamos adivinhar o que vai acontecer no Brasil através do uso de modelos matemáticos ou da extrapolação do que acontece em outros países”, escreveu.

Para o médico, “mesmo instituições renomadas e de referência podem fazer projeções que levam a cenários extremamente improváveis, que podem causar mais ansiedade e medo do que auxiliar na compreensão e solução de problemas.”

Pelas projeções do Imperial College, no cenário mais dramático, com Brasil cruzando os braços diante da pandemia, o número de mortes poderia passar da casa dos 1,152 milhão.

“Os números do Imperial College da Covid-19 para o Brasil projetaram uma mortalidade 4,4 vezes maior que aquela ocorrida na Gripe Espanhola [consideradas as devidas proporções entre vítimas e crescimento populacional]. Parece um exagero”, avaliou.

“Com medidas de supressão precoce, as projeções do número mortes pelo Imperial College para o Brasil cairiam para 44.212, uma redução de 96%. Parece outro exagero”, acrescentou.

Na manhã de sexta (17), durante discurso de posse em Brasília, Teich sinalizou que suas convicções seguem as mesmas. Para ele, há poucas informações sobre a doença guiando os governantes, induzindo a população ao medo e ansiedade.

Teich propôs então cruzar indicadores de diversos ministérios e solicitar diariamente os dados do coronavírus nos estados e municípios, para traçar o que será feito “amanhã” a partir da materialidade do que ocorreu “ontem”.

“Com tanta incerteza você não consegue planejar muito na frente, tem de analisar todo dia o que está acontecendo. Ver o que aconteceu até ontem, fazer um diagnóstico, um planejamento e executar”, sustentou.

“O problema do desconhecimento é que as decisões são muito mais uma coisa que você ‘acha’, ‘imagina’, do que uma visão clara do que vai acontecer lá na frente.”

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